Os mercados emergentes recorde histórico voltaram ao centro das atenções nesta semana. Ações e moedas de países em desenvolvimento acumulam alta de cerca de 15% desde o início de 2026, impulsionadas pelo enfraquecimento do dólar e pelo forte fluxo de capital estrangeiro.
O MSCI Emerging Markets Index avançou 1,5% na quarta-feira, ampliando os ganhos do ano. Segundo a Bloomberg, o movimento é liderado por ações de tecnologia asiáticas e pela busca por ativos com maior rendimento.
Dólar em queda e juros nos EUA favorecem emergentes
O Federal Reserve tem sinalizado cortes de juros, e o mercado precifica cerca de 50 pontos-base de afrouxamento em 2026. Esse cenário reduziu a atratividade do dólar.
O Índice do Dólar Americano era negociado próximo de 97,6 pontos na quarta-feira, acumulando queda superior a 8% em 12 meses, conforme dados da Trading Economics.
Com o dólar mais fraco, investidores passaram a buscar retorno em economias com juros mais elevados e perspectivas de crescimento mais acelerado.
Ásia lidera rali com tecnologia e IA
O rali dos mercados emergentes recorde histórico também reflete o peso crescente da Ásia na cadeia global de inteligência artificial.
Coreia do Sul, Taiwan e China já representam mais de 60% da composição do índice MSCI de emergentes. O mercado acionário sul-coreano ultrapassou o da França e se tornou o nono maior do mundo, com valor de mercado de US$ 3,76 trilhões.
Em 2025, as ações de mercados emergentes registraram o melhor desempenho anual desde 2017, superando o S&P 500.
Fluxo recorde de capital
Os números de captação reforçam o movimento.
Fundos diversificados de ações de emergentes receberam US$ 15,4 bilhões apenas em janeiro, segundo a Morningstar — a maior entrada mensal já registrada. Dados citados pela Reuters apontam mais de US$ 39 bilhões direcionados a fundos de ações emergentes no mês.
No crédito privado, investidores alocaram US$ 22,3 bilhões em mercados emergentes em 2025, quase 40% acima do recorde anterior, conforme a Global Private Capital Association.
Títulos se descolam dos Treasuries
Outro movimento relevante ocorre na renda fixa. A correlação entre títulos soberanos em dólar de emergentes e os Treasuries dos EUA caiu para cerca de 0,3 — o nível mais fraco desde agosto de 2022.
Segundo a gestora Schroders, a dívida em moeda local de mercados emergentes manteve bom desempenho mesmo com pressão sobre títulos de países desenvolvidos.
A melhora da disciplina fiscal, a desaceleração da inflação e rendimentos reais elevados contribuíram para reduzir a sensibilidade desses ativos às decisões do Fed.
Alertas sobre excesso de otimismo
Apesar do entusiasmo, há sinais de cautela.
O JPMorgan Chase rebaixou recentemente sua recomendação para moedas emergentes, citando níveis considerados de “sobrecompra”. Gestores da Fidelity International e da Lazard Asset Management também alertaram para riscos de operações superlotadas.
A principal preocupação é a liquidez. Em momentos de volatilidade, mercados menores podem enfrentar saídas rápidas de capital.
Mesmo com a forte alta, o MSCI Emerging Markets ainda é negociado com desconto de cerca de 42% em relação ao S&P 500, acima da média histórica de 32%, segundo a Aberdeen Investments.
O desafio agora é avaliar se o ritmo do rali é sustentável ou se parte dos ganhos pode ser revertida caso o cenário global mude.
