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Mercados globais despencam após Trump indicar novo presidente do Fed

Os mercados financeiros globais registraram fortes quedas nesta segunda-feira (2) após a indicação de Kevin Warsh pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed). A escolha provocou uma onda de vendas generalizada em ações, metais preciosos e criptomoedas, à medida que investidores reavaliaram as perspectivas para a política monetária americana.

O anúncio foi feito na sexta-feira (31) e teve impacto imediato sobre os mercados asiáticos, que enfrentaram o pregão mais volátil dos últimos meses. Investidores passaram a precificar um cenário de juros mais altos por mais tempo, o que pressionou ativos de risco em todo o mundo.

Ásia lidera perdas e aciona mecanismos de emergência

O principal destaque negativo foi a Coreia do Sul. O índice Kospi chegou a cair 5,5% durante o pregão, levando a Korea Exchange a acionar o mecanismo de circuit breaker às 12h31 (horário local), interrompendo negociações automáticas por cinco minutos.

No fechamento, o Kospi recuou 5,3%, aos 4.949,67 pontos, marcando sua maior queda percentual diária desde abril de 2025. Em outros mercados asiáticos, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu quase 3%, enquanto o Nikkei 225, do Japão, recuou cerca de 1,3%.

Temor de mudança na política monetária

Kevin Warsh integrou o conselho do Federal Reserve entre 2006 e 2011 e é visto por analistas como um “falcão moderado”, crítico da expansão do balanço do banco central e defensor de um foco mais restrito no controle da inflação.

A indicação levou o mercado a revisar expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos.

“A nomeação de Kevin Warsh empurrou os mercados para um cenário de cortes de juros menos frequentes e mais lentos”, avaliou Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Singapore.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices — Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq — operaram em queda nas negociações noturnas, com perdas entre 0,3% e 1,8%. O setor de tecnologia concentrou a maior pressão vendedora, diante da sensibilidade das empresas de crescimento a juros elevados.

Metais preciosos e criptomoedas ampliam perdas

A aversão ao risco também atingiu fortemente os metais preciosos. O ouro caiu até 10% nesta segunda-feira, após já ter recuado mais de 10% na sexta. A prata chegou a despencar 16%, ampliando a pior sequência de perdas diárias desde o fim da semana passada.

O movimento ocorre após uma forte valorização recente, que levou ouro e prata a máximas históricas no início de janeiro. Para conter riscos, o CME Group elevou as exigências de margem para contratos futuros, acelerando liquidações forçadas.

No mercado de criptomoedas, o Bitcoin continuou em queda e passou a ser negociado em torno de US$ 75 mil, após romper o nível de US$ 80 mil pela primeira vez desde abril. A criptomoeda acumula baixa superior a 30% em relação ao pico recente.

Próximos passos

A indicação de Kevin Warsh ainda precisa ser confirmada pelo Senado dos Estados Unidos. Caso seja aprovado, ele substituirá Jerome Powell, cujo mandato à frente do Fed termina em maio.

Enquanto isso, investidores seguem atentos aos desdobramentos políticos e às sinalizações sobre os rumos da política monetária americana, fator central para o comportamento dos mercados globais nos próximos meses.

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