Há um processo indiscreto, árduo, com subtração monetária indevida e gerador de debates imensuráveis que ocorre neste ano no Brasil. Chama-se Campanha Nacional de Vacinação contra o HPV. Não quero criticar a eficácia nem sou especialista em saúde preventiva, no entanto, indicar as doses para crianças de 11 anos e adolescentes de 12 e 13 anos, público-alvo do Ministério da Saúde, com aval da senhora presidente Dilma Rousseff, é simplesmente dizer: podem praticar sexo à vontade que o ‘estado cuida de vocês’. Já que o HPV, em inglês Human Papiloma Vírus, é uma doença sexualmente transmissível (DST).
O que vem a seguir? Campanhas para meninas de 9 e 10 anos. Isto é simplesmente uma indicação à precocidade à vida adulta. Se, para a União, vacinar uma menina de 11 anos é normal, para a União também será normal programar o ‘Bolsa-Cegoinha’. Já que pré-natais infantis estarão cada vez mais comuns nos próximos anos. O ingresso à puberdade mais cedo é notório nos tempos atuais. Tenho um filho de 10 anos, ainda bem homem, ou seja, não é alvo deste abjeto projeto do governo. E ele já apresenta sinais de pujança ao sexo oposto. Explico que a hora vai chegar, ainda está na hora de jogar bola, videogame, etc. Enfim. Não posso aceitar e ficar quieto frente às obrigatoriedades do poder público. É um bom frisar que sou apolítico. Então, se a campanha fosse gerada no mandato de Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Júlio Prestes, Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso ou qualquer outro chefe de estado do Brasil, meu pensamento seria o mesmo.
Portanto, pais. Não podem aceitar como imposição e sim como uma opção de levar ou não o seu filho para tomar a vacina. No entanto, como já chegou a meus conhecimentos nos últimos dias, há centenas de escolas públicas no país que estão simplesmente aplicando as doses nas meninas, como se fosse obrigatório na grade curricular, além de manifestar palestras indiscretas sobre sexualidade juvenil, mas com público infantil. Isto é sim uma forma de incentivar e preconizar o sexo.
A missão da União é imunizar cerca de 5,2 milhões de garotinhas. De acordo com o Ministro da Saúde, estima-se que 270 mil mulheres no mundo morrem devido ao câncer de colo do útero. No Brasil, cerca de 4,8 mil morreram por causa da doença no ano passado. Para estar imunizada contra o HPV, cada menina receberá três doses da vacina: a segunda dose deve ocorrer seis meses após a primeira. Já a terceira, cinco anos depois.
Não seria mais fácil ensinar sobre a importância do uso do preservativo para adolescentes a partir de 15, 16 anos? Aí sim, uma campanha interessante. Não tão precoce assim. Porque, para a União, a minha filha já está grávida e com fortes suspeitas de ter contraído HPV aos 11.
Saiba mais: o vírus do papiloma humano (HPV) está associado a lesões benignas, tais como verrugas, mas certos tipos são frequentemente encontrados em determinadas neoplasias, como o cancro do colo do útero, do qual se estima que sejam responsáveis por mais de 90% de todos os casos verificados. A principal forma de transmissão é por via sanguínea. Estima-se que 75 a 100% da população feminina mundial esteja infectada, e que 20% das mulheres, vejam bem, mulheres (adultas) contraem a infecção durante algum período das suas vidas. A maioria das situações não apresenta sintomas clínicos, mas algumas desenvolverão alterações que podem evoluir para cancro.
