Ligação a destinos turísticos está interditada e altera rota de motoristas
Willian Reis
São Martinho
Há cerca de cinco anos, quando Maria de Lourdes Claudino anunciou que iria se mudar para uma casa ao lado da ponte de madeira no bairro Pernambuco, em São Martinho, muita gente não aprovou a ideia. Alertavam que aquela região seria mal-assombrada por espíritos de pessoas que haviam morrido ao cair da ponte sobre o rio.
Nem Maria de Lourdes nem o marido se depararam com os espíritos ou coisa parecida de lá para cá, mas nesse meio-tempo, sim, já foram testemunhas de acidentes que terminaram em, pelo menos, duas mortes. São histórias de veículos que derraparam na pista e não puderam ser contidos pelas muretas de madeira.
Agora, há pouco mais de uma semana, a ponte teve de ser interditada pelo Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), após conversa entre o órgão e representantes da prefeitura. A conclusão é de que a estrutura não tem mais condições para receber o tráfego e precisa ser substituída por outra. Mas, mesmo com placas de sinalização e obstáculos na pista, como manilhas de concreto e montes da areia, para impedir a circulação, não é difícil flagrar motociclistas se aventurando pela ponte interditada a qualquer hora do dia.
“Está muito perigoso”, define Maria de Lourdes. Hoje, praticamente todo o meio da ponte já não tem mais muretas de proteção em ambos os lados. Há alguns anos a estrutura chegou a receber reforma: como o chão estava apodrecendo, decidiu-se cobri-lo com outra camada de madeira, que também não está mais em boas condições.
Maria de Lourdes conta que a ponte é ainda muito usada pelos moradores para caminharem até a praça, a alguns metros dali. Localizada no trecho da SC-436 que passa pelo bairro Pernambuco, ela liga o Centro às comunidades de Vargem do Cedro e São Luiz – ambas importantes destinos turísticos da região. Nos fins de semana, por exemplo, ainda servia de desvio para quem queria fugir do movimento intenso na BR-101. “Agora vamos ver se sai a nova ponte”, aguarda a moradora.
Trânsito precisou ser desviado pelo centro de São Martinho
“Não caiu mais gente lá porque interditaram”, alerta um cliente no balcão da lanchonete de Anderson Effting Rech, localizada no início da estrada que leva à ponte os que estão chegando à cidade vindos de Armazém. Apesar do bloqueio, Anderson não acredita que o movimento em seu bar tenha caído.
“O número de vendas não diminuiu porque o desvio é aqui perto. São cerca de cinco minutos a mais”, diz ele, acrescentando que apenas presenciou transtornos no início da interdição. Enquanto a obra não sai do papel, o trânsito é desviado pelo Centro, onde os motoristas devem cruzar uma ponte inaugurada há pouco tempo, em dezembro do ano passado.
Para quem segue pela SC-436 vindo de Armazém, o trajeto deve ser desviado para o Centro de São Martinho. No caso dos motoristas que acessam Vargem do Cedro por São Luiz ou São Bonifácio não há alterações. Se optar por seguir no sentido Vargem do Cedro-Armazém é preciso desviar também pelo Centro de São Martinho.
Bancada pelo Estado, nova ponte vai custar R$ 900 mil
A promessa feita pela secretaria de Infraestrutura do Estado à prefeitura é de que, até o fim do mês, seja lançada a licitação para dar início à construção da nova ponte.
Orçada em cerca de R$ 900 mil, ela será em concreto, medindo 50 metros por dez metros. “Vai valer a pena esperar um tempo até a nova ponte ficar pronta, já que a atual não tem mais condições de uso. É questão de segurança”, disse há poucos dias o vice-prefeito de São Martinho, Jerry Luiz Steiner.
