Priscila Loch
Tubarão
Uma média de 100 edificações, mais de 500 apartamentos e 120 mil metros quadrados em obras. Os números da construção civil em Tubarão são animadores e promissores. Porém, para efetivamente colocarem os seus projetos em prática, os empreendedores têm reclamado de uma dificuldade que tem engessado o setor. E este problema tem nome e sobrenome: morosidade excessiva.
Os problemas estão relacionados às expedições de licenças ambientais e aprovações de projetos. O primeiro documento, de responsabilidade da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), tem levado de quatro a cinco meses para ser liberado, conforme o presidente do presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Silvio Ghisi.
“Em outros estados, a licença ambiental sai em no máximo 40 dias. Com os loteamentos é ainda pior. Conheço loteador que já está à espera há dois anos e nada. É muito lero lero, muita burocracia”, lamenta Silvio.
O delegado Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci) no município, Paulo Evaldo Mayer, revela que a categoria também tem sofrido com esta demora, pois poderia ter mais imóveis à disposição. “Alguns órgãos ficam engessados de atividades, sobrecarregados, tanto pela falta de mão de obra quanto pela burocracia, e até leis que não são claras”, avalia.
O tempo para aprovação dos projetos pela prefeitura também tem atrapalhado o início das obras. “Hoje, leva no mínimo seis meses para aprovar. E tem que estar tudo legalizado antes de iniciar a construção, isso sem contar a taxa de análise, que não baixa de R$ 20 mil”, acrescenta o presidente do Sinduscon.
Mão de obra continua escassa
Os construtores tubaronenses relatam que já fizeram reclamações formais, mas a situação continua na mesma porque há falta de funcionários nos órgãos públicos. “Falta mão de obra para este governo, que não coloca ninguém para trabalhar”, analisa o presidente do presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Silvio Ghisi.
Uma funcionária da Acit foi cedida à Fatma para ajudar a agilizar os processos dos associados, revela Silvio, mas os resultados não têm sido visíveis. “Precisa de mais umas três pessoas para fazer este trabalho. No mínimo”, avalia.
A demora para liberação de toda a documentação também piora um outro problema já enfrentado na construção civil: a falta de mão de obra. Isso porque com o atraso os investidores não conseguem segurar profissionais como pedreiros, mestres de obras e serventes, especialmente.
Há grande demanda em busca de apartamentos na cidade. Isso é comprovado quando um novo empreendimento é lançado e os imóveis são comercializados em poucos dias. Em alguns casos, há até fila de espera. “O governo federal está oferecendo uma linha de crédito boa, mas isso não vai durar para sempre, então, tínhamos que aproveitar o momento”, enfatiza Silvio.
Os outros lados
Na prefeitura de Tubarão, ninguém foi encontrado para explicar os motivos da demora na aprovação de projetos. Na Fatma, o gerente Rui Bonelli Bitencourt não se encontrava ontem na agência regional. A redação também tentou contato por celular, mas ninguém atendeu nem retornou as ligações.
