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Ninguém precisaria dormir na rua

Richard (o segundo da direita para a esquerda) agradece o trabalho dos guardas municipais e voluntários do Albergue Noturno Pousada da Paz
Richard (o segundo da direita para a esquerda) agradece o trabalho dos guardas municipais e voluntários do Albergue Noturno Pousada da Paz

 

Angelica Brunatto
Tubarão
 
O morador de rua Richard Gomes de Campos é uma das 300 pessoas que passam mensalmente pelo Albergue Noturno Pousada da Paz, em Tubarão. A instituição é mantida por voluntários e atende todas as noites que busca conforto após passar o dia na rua. 
 
Quem chega ao Albergue recebe muito mais do um local para dormir. “Damos uma janta, produtos de higiene e, se precisar, também doamos roupas”, conta o voluntário Edgar José Farias. 
 
Quando Richard chegou ao albergue, foi recepcionado pelos guardas municipais, que fazem a segurança do local. Ele deu entrada, depois do horário permitido, após ser encaminhado pela Polícia Militar. “Cheguei por volta da meia-noite e todos me atenderam muito bem”, conta Richard. 
 
A presença dos guardas é essencial para manter a segurança do albergue. Giovane Goulart, Reinaldo Goulart, Michel França e Anderson Ferreira revezam-se para passar a noite. São 12 horas de serviço. A instituição abre as portas às 19 horas e fecha às 7 do dia seguinte. 
 
A capacidade é para 30 pessoas. “Teoricamente, em Tubarão, ninguém deveria dormir na rua”, avalia Farias. Não é permitida a entrada de pessoas embriagadas. 
 
Cada um pode “hospedar-se” no albergue por no máximo cinco dias. “Mas, dependendo do caso, encaminhamos para o Creas, que pode dar permissão para que fiquem no albergue por mais tempo”, explica Farias. Esse é o caso de Richard. “Eu recebi uma proposta de trabalho, e agora estou fazendo testes”, conta, empolgado, o morador de rua.
 
São 16 anos de trabalho
O Albergue Noturno Pousada da Paz funciona desde 1996. Surgiu após algumas pessoas perceberem a necessidade de abrigar quem dormia nas marquises na rodoviária antiga e no calçadão. 
Assim, um centro espírita cedeu um prédio e um grupo de voluntários começou o serviço. Hoje, 30 grupos revezam-se para fazer o jantar para os albergados. 
Durante os 16 anos de funcionamento, a instituição já realizou mais de 50 mil atendimentos. Pessoas de vários lugares do Brasil, ou até de fora, já passaram pelo local. Conforme o voluntário Edgar José Farias, a maioria dos albergados é da região. Outros 25% são do Rio Grande do Sul. 
Os andarilhos são os mais atendidos. Conhecidas como “trecheiros”, essas pessoas passam a vida caminhando e param de trechos em trechos. “Eles conhecem todos os albergues do país”, conta Farias.
 
A história de Richard Gomes de Campos nas ruas começou cedo. Hoje com 20 anos, ele está abrigado no Albergue Noturno Pousada da Paz. Antes de chegar em Tubarão, vivia nas ruas de Balneário Camboriú, de onde foi expulso
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