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Números são altos e ainda assustam

Primeiro caso de Aids na região foi registrado em 1987, em Tubarão. Desde então os números são crescentes.
Primeiro caso de Aids na região foi registrado em 1987, em Tubarão. Desde então os números são crescentes.

Lily Farias
Tubarão

De abril até novembro deste ano, a quantidade de pessoas de Tubarão e região infectadas com o vírus HIV teve um aumento significativo. Passou de 737 cidadãos no quarto mês do ano para 809 até esta sexta-feira. Os dados são da coordenadoria do programa DST/Aids da gerência regional de saúde em Tubarão.

Os homens ainda são a maioria dos infectados: 527 contra 282 mulheres. Por quantidade populacional, a Cidade Azul lidera o ranking, com 547 pessoas contaminadas. O primeiro caso de Aids na região foi registrado em 1987, em Tubarão. Hoje, 25 anos depois, cidades onde não havia registro de doentes agora figuram na lista. Um exemplo é São Martinho.

Até abril deste ano nunca fora confirmado nenhum caso de pessoa com HIV positivo na cidade. No mês passado houve dois registros. Ambos são homens. Na região, as únicas cidades em que a quantidade de portadores não aumentou neste período foram Pedras Grandes (três homens), Santa Rosa de Lima (um homem e uma mulher) e São Ludgero (nove homens e cinco mulheres).

A faixa etária entre 30 a 39 anos é a mais atingida. São 310 infectados neste segmento. Na sequência estão as pessoas com idade entre 40 e 49 anos (213 portadores). Em terceiro estão os jovens entre 20 a 29 anos. Nesta faixa etária são 166 infectados com o HIV.
Outro numero que chama a atenção é a quantidade de crianças portadoras do vírus. Também houve aumento. Em abril eram 19. Até esta sexta-feira o número estava em 21 registros. Todos os casos são de menores com até 13 anos, infectados durante a gestação ou amamentação.

Perfil epidemiológico

Santa Catarina está entre os estados com maior índice de doentes de Aids. No ano passado, este indicador chegou a 31,6 casos por 100 mil habitantes. O estado ficou atrás, apenas, do Rio Grande do Sul. Os dados são do boletim epidemiológico, divulgado pelo Departamento de DST/HIV/Aids do Ministério da Saúde este ano. Em relação à mortalidade, Santa Catarina também figura no topo da lista. Ocupa o 4º lugar, com um coeficiente de 7,7 óbitos por 100 mil habitantes no ano passado.

Testes rápidos de HIV

No Dia Mundial de Combate à Aids, celebrado neste sábado, os números revelam que ainda há muito trabalho pela frente. Diante deste cenário, o Ministério da Saúde criou a campanha “Fique sabendo”, estratégia realizada nos centros de testagem e aconselhamento (CTA) das secretarias de saúde das prefeituras.

“A ideia é estimular o diagnóstico precoce, por meio de um teste prático e rápido. Tudo é gratuito e sigiloso. O resultado sai em 30 minutos”, incentiva a coordenadora do programa DST/Aids da 20ª regional de saúde em Tubarão, Kalinka Mattos Gomes.
Ela conta que em uma só consulta a pessoa recebe aconselhamento antes e depois do exame, e em caso positivo é imediatamente encaminhada para o serviço especializado. No sul do estado, este trabalho é feito nas cidades de Imbituba, Araranguá, Arroio do Silva, Morro da Fumaça e Criciúma.
“Em Santa Catarina, os profissionais das regionais não se interessam em fazer o teste rápido porque a maioria não se sente preparado para o atendimento psicológico em caso de um diagnóstico dar positivo”, lamenta Kalinka. 

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