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O guardião da memória

 

No dia 27 de agosto de 2011, Tubarão perdeu um grande homem! Amadio Vettoretti, o nosso guardião da memória, segue para outro momento histórico. Estará longe de nós, mas não ausente.
 
Sua presença está marcada em cada página da história dessa cidade. Imagens que construíram a história de Tubarão foram catalogadas, armazenadas e protegidas por Vettoretti circulam rotineiramente nos veículos de comunicação. Suas palavras foram impressas, incansavelmente, toda semana no jornal Notisul. A cada coluna, uma novidade, um questionamento, uma hipótese.
 
Os antigos gregos consideravam a memória como uma deusa, Mnemosine. Ela recordava aos homens os feitos e os heróis do passado. Era o antídoto do esquecimento, que, para ser evitado, exigia dos homens nutrirem-se da memória, fonte da Imortalidade. 
 
Fotos, documentos e livros eram garimpados e guardados cuidadosamente durante décadas, nutrindo a imortalidade dos cidadãos que construíram e constroem a cidade de Tubarão. 
 
Em busca dessas memórias, Vettoretti foi além dos documentos escritos. Utilizou sua capacidade de externar conhecimento, produzindo obras essenciais que traduziram a história de Tubarão.
 
Personalidade marcante na cidade estava presente nas ruas de Oficinas e do trajeto entre o Arquivo Público e o sebo, sempre com seu indefectível chapéu, representativo da memória de tempos idos. Sempre pronto para uma boa conversa, discutia desde fatos passados até momentos atuais. Estava sempre disposto a contribuir para a manutenção do pouco que resta da história edificada de Tubarão. Mostrava-nos documentos, livros que garimpava em sebos de diversas cidades por onde passava. Tudo meticulosamente organizado para a escrita de mais um livro, mais um pedaço de memória.
 
As reuniões no Conselho Municipal de Cultura eram ímpares. Sempre se sobressaía com notificações sobre os abusos e a ausência de interesse do poder público em relação à cultura da nossa cidade. As discussões borbulhavam. E muitas tardes foram dedicadas ao estudo e construção de documentos, que acreditava melhorar a qualidade de vida dos tubaronenses, carentes de espaços culturais e de lazer.
 
Sua paixão, depois da família e dos vinhos, era o Arquivo Público de Tubarão. Esse arquivo que foi remanejado e ameaçado diversas vezes, em diversos governos municipais. Lá estava o guardião, sempre a postos para defender o que fora construído com seu esforço e dedicação, juntamente com todos os outros funcionários, seus aliados nessa batalha.
 
Pois então, Amadio, onde quer que estejas, fique tranquilo! Deixastes muitos guardiões. Estaremos atentos e não deixaremos a memória de nossa cidade se esvair.
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