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O que é preciso para atrair grandes empresas?

Priscila Loch
Tubarão

 
Por muitos anos, o sul do estado esperou pelo desenvolvimento. Ao que tudo indica, essa hora está chegando! Há cerca de três semanas, durante o lançamento da licitação para administração do Aeroporto Humberto Ghizzo Bortoluzzi, em Jaguaruna, o próprio governador Raimundo Colombo fez questão de declarar que a região é “a bola da vez”.
 
Prova de que Santa Catarina está no caminho certo é a viagem da comitiva catarinense ao Japão e à China, que pode render bons frutos para Imbituba. Isso porque a cidade portuária tem grandes chances de receber uma fábrica da montadora chinesa Geely.
 
Tem também a italiana Cimolai, que escolheu o mesmo município para abrir uma filial. Outras empresas já mostraram interesse em ‘criar raízes’ por aqui, e a expectativa é que muitas outras sigam o mesmo caminho. Mas o que é possível fazer para receber estes grandes empreendimentos? O que precisa ser melhorado? Muita coisa! 
 
Investimento nunca é demais, tanto por parte dos governos quanto das lideranças empresariais locais. Especialmente em infraestrutura. Assim como maturidade para saber negociar e manter sigilo quando necessário. A sociedade em geral também deve fazer a sua parte. Aprender outros idiomas, por exemplo, é fundamental para quem almeja um dia fazer parte do quadro de funcionários.
 
As cartas já estão na mesa… Neste sentido, é essencial finalizar todas as pendências com relação ao Aeroporto Regional Sul, à duplicação da BR-101, à dragagem do calado do Porto de Imbituba, entre outras obras. Só assim será possível conseguir as tão sonhadas boas novas para o desenvolvimento.
 
Mercado, logística e mão de obra
Atrair grandes empresas está primeiramente ligado a questões de mercado e consumo. A logística vem depois, e isso inclui oferta de modais, proximidade de matérias primas e, consequenteente, redução de custos. Em terceiro, vem a oferta de mão de obra qualificada. Estes são pontos de atração natural, além dos investimentos públicos.
 
A avaliação é do empresário Glauco Caporal, que já foi secretário de indústria e comércio da prefeitura e Tubarão, e desde o início deste ano capta investimentos de fora para o sul por meio da empresa Southbridge (Ponte do Sul na tradução). “Estamos em uma região de pouco apelo de consumo. Para efeito de escolha de lugar para se instalar, concorremos com lugares mais fortes”, analisa ele, ao comparar o sul, onde Amurel, Amrec e Amesc, juntas, chegam a um milhão de habitantes, a regiões metropolitanas como São Paulo (19 milhões de habitantes), Rio de Janeiro (11 milhões) e Belo Horizonte-MG (5,5 milhões), por exemplo.
 
Quanto a logística, além das deficiências quando o assunto é portos, ferrovia, rodovias e aeroportos, há muitos interessados em aprender, mas ainda existe pouca capacidade técnica. “Resumindo, o maior volume de possibilidades de grandes empreedimentos se dará por aquisição de empresas locais por grandes grupos e investidores internacionais fugindo da crise na Europa e outros lugares, e ambas dependerão da capacidade dos líderes locais de agilizarem soluções”, alerta Glauco.
 
Cimolai, por enquanto, só no papel
Uma outra multinacional escolheu o sul do estado, com promessa de começar a operar no próximo ano. A instalação da italiana Cimolai em Imbituba é dada como certa, mais ainda falta assinar o contrato.
 
Inicialmente, Tubarão era visto como destino certo da empresa. Inclusive, o então vice-prefeito Pepê Collaço embarcou para a Europa e Ásia junto com uma comitiva catarinense. Porém, depois de muita especulação, tudo mudou e as certezas transformaram-se em incertezas, com outros municípios do sul oferecendo ‘guarita’ à multinacional.
 
A Cimolai deve gerar cerca de 600 empregos por aqui. O projeto inicial era estar com a linha de produção em funcionamento até fevereiro do próximo ano, prazo que não tem mais como ser cumprido.
 
O fato do local escolhido em Imbituba ser da Santos Brasil, arrendatária do terminal de contêineres do porto, vai facilitar o escoamento da produção. O condomínio retroportuário fica às margens da BR-101, 
A empresa produzirá tubos de aço e enviará o material para diversos países, com enfoque no Mercosul. O investimento para instalação da fábrica deve girar em torno de R$ 700 milhões.
 
Aprendizado para a arquitetura no Japão
Projetos arquitetônicos arrojados, métodos construtivos diferentes dos desenvolvidos no Brasil, inovação e planejamento foram alguns dos destaques observados pelo grupo de empresários catarinenses que visitou canteiros de obras em Doha, no Catar, Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A missão da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) à região, apoiada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, encerrou nesta sexta-feira. 
 
O líder do grupo, o empresário Marco Antonio Corsini, afirma que o aprendizado irá ajudá-los a inovar nos projetos. “Entre o que está sendo construído aqui em obras públicas, escritórios ou residências, surpreende a inovação, o diferente, o que é atraente. Vimos um prédio torto em Abu Dhabi que é um desafio para a engenharia, que muitas empresas se recusaram a fazê-lo por acreditar que não seria possível, mas que uma empresa fez. Isso é inovar”, revela.
 
Entre os compromissos em Dubai, o grupo visitou a feira de construção civil Big 5. “A realidade é diferente da nossa, mas pode ser aplicada em parte. Ficamos surpresos de ver o planejamento com que as obras públicas são executadas e a qualidade delas. Até os elevados que são feitos aqui são construídos com atenção à estética”, disse Corsini.
 
A importância do condomínio industrial de Tubarão
Apesar da instalação da Cimolai em Tubarão ter sido descartada, o projeto de construção do condomínio industrial às margens da BR-101, próximo à divisa com Capivari de Baixo, continua de pé. A cessão do terreno pela Tractebel à prefeitura ainda não foi formalizada, mas já existe uma minuta do convênio. A negociação não deve ser finalizada neste ano.
 
A área tem 94,5 hectares e o custo estimado para terraplanar cerca de 15 hectares do espaço chega a R$ 15 milhões. Este serviço deve levar ao menos seis meses para ser feito, isso sem contar os outros seis previstos para liberação da licença ambiental. Desta forma, o condomínio tende a sair do papel apenas de 2014 para frente.
 
A Tractebel fará uma concessão do terreno – antiga área de depósito de cinzas – à prefeitura com duração até 2016. Só depois desta data o local será doado à administração municipal.
 
O anteprojeto prevê a construção de um Office Park (parque de escritórios) com 380 salas, centro administrativo, heliponto, restaurante, creche, centro de formação e hotel com 250 apartamentos. O secretário estadual de desenvolvimento econômico sustentável, Paulo Bornhausen, já garantiu que o governo ajudará financeiramente na preparação da área.
 
Setor de móveis
O setor de móveis também foi focado pela missão catarinense que foi ao Japão. Em reunião na International Development Association of the Furniture Industry of Japan (Idafij), em Tóquio, o diretor de relações industriais e institucionais Fiesc, Henry Quaresma, e o vice-presidente regional da entidade, Arnaldo Huebl, destacaram o potencial do estado para fornecer ao país asiático. 
 
A Idafij é uma associação que promove a importação e a exportação de móveis. Representa 550 companhias, além de 20 entidades empresariais regionais do setor.
 
No Japão, existem 7,8 mil empresas que produzem móveis e o país importa anualmente cerca quatro bilhões de euros do produto. O carvalho e a cerejeira são os tipos preferidos de madeira. “O pinus, muito utilizado no Brasil, ainda é pouco conhecido no Japão, mas é possível fazer adaptações e criar estratégias para ingressar neste mercado”, relatou Quaresma.
 
Em busca da Geely na China
Liderados pelo governador Raimundo Colombo, empresários e políticos viajaram ao Japão na última segunda-feira. Por lá, conversaram com representantes de diversos setores e ‘costuraram’ negociações com outras empresas.
 
Mas, para o sul do estado, o foco mesmo é a China. A chegada da comitiva catarinense já chegou ao país. O prefeito de Imbituba, Beto Martins, acompanha tudo de perto. A expectativa é voltar para casa com pelo menos uma sinalização positiva de que a Geely deve mesmo instalar-se na cidade portuária.
 
As conversas para viabilizar a vinda da montadora chinesa começaram há alguns meses. E nos últimos dias os técnicos do governo do estado e representantes do setor logístico de Imbituba e da empresa discutiram alternativas em reuniões realizadas na cidade sede, Hangzhou, capital da província de Zhejiang.
 
O principal objetivo da Geely é instalar-se em países emergentes para impulsionar as vendas. Brasil e Índia são vistos como os de maior potencial de crescimento. Além de Santa Catarina, Ceará também demonstrou interesse em receber a montadora, mas as negociações não avançaram. 
 
“Vamos para a China com o objetivo de potencializar nosso negócio, que tenho certeza que pode ser muito benéfico não apenas para Imbituba, como todo o sul do estado, dada a envergadura do empreendimento”, destacou o prefeito Beto Martins.
 
300 mil – veículos é a sua capacidade anual de produção.
 
1,2 mil – empregos devem ser gerados pela Geely caso instale-se em Santa catarina.
 
R$ 1 bilhão – deve ser o investimento da empresa chinesa por aqui.
 
Participe!
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