Início Opinião Odontologia e saúde pública – novos conceitos

Odontologia e saúde pública – novos conceitos

“Promover saúde é mais do que contar para o paciente que cárie pode ser prevenida através da utilização correta de produtos contendo flúor, da limpeza adequada dos dentes e da racionalização do consumo de açúcar. Promoção de saúde é uma ação global, objetivando a melhoria na qualidade de vida das pessoas. Neste contexto, é apenas uma parte do todo. É qualquer esforço planejado para construir políticas públicas saudáveis, criar ambientes que apoiem o esforço individual e comunitário de ser saudável, fortalecer ação comunitária, desenvolver habilidades pessoais ou reorientar os serviços…” (BUISHI, 2003).

Esta visão implica reconhecer que o objeto de atuação dos profissionais de saúde bucal constitui-se em três vertentes; a recuperação dos danos causados pelas doenças bucais, a aplicação de métodos de prevenção e o repasse de informações para o auto cuidado e manutenção da saúde. Nesta nova maneira de fazer saúde, o profissional rompe os limites físicos do consultório e socializa a informação, pois conhecimento não foi deito para ficar guardado.

Vale ressaltar que várias atividades de promoção de saúde bucal têm sido conduzidas de forma efetiva por setores não ligados diretamente à saúde e incorporadas a rotinas diárias e ambientes, como escolas, creches, etc. Dessa forma, as pessoas aprendem o conhecimento sobre o processo saúde/doença e o incorporam a sua rotina diária de vida.

Neste contexto, deixo aqui algumas dicas de saúde bucal que sempre abordamos em nossas palestras junto às gestantes do município:
a) Aleitamento materno: o leite materno é o melhor para o bebê, e deve ser o único alimento a ser oferecido a ele até os seis meses de vida; promove o desenvolvimento dos músculos relacionados aos maxilares e língua, auxiliando na aquisição da fala, deglutição, oclusão e colabora efetivamente na prevenção da respiração bucal; confere imunidade natural ao bebê.

b) Uso de bicos e chupetas: devem ser desestimulados, pois a sucção do dedo, chupeta ou mamadeira é um fator que pode interferir negativamente no desenvolvimento facial da criança, podendo levar a alterações bucais, tais como: mordida aberta, mordida cruzada, inclinação inadequada dos dentes, diastemas e alterações no padrão de deglutição.

c) Higiene da boca do bebê: a limpeza da cavidade bucal do bebê que deve ser iniciada antes mesmo da erupção dental, a partir dos primeiros dias de vida do bebê, com a finalidade de remover o leite estagnado em seu interior e nas comissuras labiais, massagear a gengiva e acostumá-lo à manipulação da boca. A limpeza pode ser realizada com uma gaze ou fralda limpa embebida em água filtrada e/ou misturar uma colher de água oxigenada 10 vol. em ½ copo de água fervida ou filtrada (fria) que deve ser passada delicadamente na gengiva, nos vestíbulos bucais.

d) Dieta: até os seis meses, orientar sobre o aleitamento exclusivo, após, ao se introduzir outros alimentos, desestimular o uso de açúcar em mamadeiras de leite e/ou sucos, papinhas, etc; alertar sobre o risco de cáries rampantes ou de “mamadeira”; orientar para não se usar mel, melado ou similar para a criança aceitar a chupeta. As papas de legumes não devem ser liquidificadas, mas sim amassadas com garfo para que a criança perceba as diferentes texturas dos alimentos e inicie o mais cedo possível o processo da mastigação.

e) Uso de fluoretos: o uso de creme dental na higienização (escovação) dos dentes da criança deverá ocorrer a partir do nascimento dos 1ºs molares decíduos, alertando para que a criança sempre cuspa a espuma da escovação. Usar quantidade mínima de creme dental (sujar a escova apenas).
Encerro a fala de hoje com um breve recado às pessoas que buscam tratamento para seus problemas de saúde, quer seja na rede privada, quer seja na rede pública: “procure sempre por profissionais dispostos a lhe ouvir, indague, questione, tome para si às rédeas da sua cura”.

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