O mais alto perverso e irreversível custo da violência – que poderia ser evitado – é o das vidas ceifadas, dos envolvidos com as drogas que, pela indiferença da sociedade, leva à morte, também, os inocentes.
Foram 50.806 homicídios no Brasil, no ano de 2013 ou uma pessoa assassinada a cada dez minutos, segundo relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Na Associação dos Municípíos da Região de Laguna (Amurel), foram 30 no ano passado.
Corresponde a uma taxa de 25 vítimas para cada 100 mil habitantes. A partir de 10 por 100 mil – que foi o ocorrido em Tubarão em 2014 – a Organização das Nações Unidas (ONU) considera epidemia. Nos Estados Unidos, foram cinco para cada 100 mil habitantes e, no Chile, três.
O outro custo da violência no Brasil é bilionário e pago, sem retorno, por todos os contribuintes. Foi de R$ 258 bilhões, em 2013, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Destes, R$ 114 bilhões correspondem às mencionadas vidas ceifadas, principalmente de jovens (cerca de 30 mil, de 15 a 29 anos, dos referidos 50.806), cuja vida produtiva é interrompida logo no início, com consequências financeiras graves para os familiares e para a nação. Completam os gastos: a segurança privada, seguros, sistema hospitalar, prisões e investimentos nas corporações policiais.
Além disso, as empresas brasileiras perdem produtividade e competitividade – em cujo ranking o Brasil ocupa, desde 2014, o 54º lugar entre 60 países, segundo a World Competitiveness Yearbook – devido a investimentos maciços em segurança, quando poderiam investir em novas tecnologias e em capital humano.
Na mesma direção: a) Recurso externo para o setor produtivo e para a economia brasileira está sendo limitado, devido, em grande parte, à criminalidade e ao vandalismo; b) Dinheiro e operações bancárias ficam mais caros (tarifas maiores e taxas de juros mais altas), em parte, graças aos gastos dos bancos com segurança, o que contrai o crédito e emperra o crescimento.
Por que se continua pagando tão altos custos, com tendências de se tornarem irreversíveis, se é possível preveni-los? Fatores como acesso à escola, saúde, pobreza e impunidade melhoraram nas últimas décadas – mesmo estando longe do ideal – mas a violência não “arrefeceu”. Pelo contrário, há indicativos de piora.
As 16 frentes de trabalho que contribuíram para diminuir os homicídios em Tubarão (de 17 em 2011 para 2, em 2013) apontam a nova dinâmica do crime e a óbvia necessidade de mudar, também, e simultaneamente, duas concepções e as respectivas práticas sobre segurança:
1 ) A de que tão ou mais importante que a repressão é a prevenção; 2) Consequentemente, segurança não mais se faz apenas com polícias. É com elas, com as demais instituições e com a população agindo de forma integrada.
Não espere o crime acontecer, nem apenas reclame! Participe preventivamente! Ou o preço da violência se tornará impagável, para todos!
