Início Opinião Os grupos de famílias como lugar da missão (2)

Os grupos de famílias como lugar da missão (2)

 

Os temas de cada encontro são estabelecidos a partir de instâncias diocesanas ou paroquiais, em geral de acordo com o tempo litúrgico. Os temas que são escolhidos dizem respeito à vida do povo em sua situação social e eclesial local. O ideal é que cada tema corresponda a um texto bíblico que ilumine a reflexão e exercite a lectio divina, de modo que os participantes consigam refletir, entender e rezar sua situação pessoal, social e comunitária.
 
De modo geral, podem-se elencar quatro pilares, que abrangem o conteúdo catequético-pastoral dos grupos de famílias: 1) Bíblico – a palavra de Deus é o eixo que articula o encontro das pessoas nos grupos como luz que ilumina os fatos da vida dos seus membros, da igreja e da sociedade; 2) Teológico – as pessoas sentem-se bem nos grupos na medida em que entendem que Deus está ali, com elas. É um Deus simples no seu modo de ser e de se manifestar, o que permite ser reconhecido e acolhido pelas pessoas simples dos grupos de famílias; 3) Social – o livro da vida é muito importante também nos grupos de famílias, o que o caracteriza também como instância de reflexão dos aspectos sociais, do dia a dia das pessoas; e 4) Espiritual – a espiritualidade é a alma, a força e a expressão da igreja, e, logicamente, também dos grupos de famílias. Ali, a espiritualidade se expressa pela religiosidade popular, em alguns momentos com a expressão sacramental (de modo especial o batismo e o matrimônio) e outras expressões inovadoras que vinculam fé e vida, oração e ação fortalecendo a mística cristã no meio social, dando sentido evangélico às lutas do cotidiano. Destaca-se nos grupos de famílias a espiritualidade mariana e diz-se até que a expressão mariana dá um rosto feminino à igreja que ali se constrói.
 
Com alegria, colhem-se bons frutos a partir dos grupos de famílias. Tem-se reconhecido que eles são um espaço ímpar de preparação de muitas lideranças, devido à dinâmica que faculta a todos participarem, sejam adultos, jovens ou mesmo crianças. Mas há também desafios e um dos maiores é o de fazer participarem dos grupos as famílias por inteiro e também lideranças pastorais, movimentos, associações e organismos de nossa igreja.
 
Tidos como locais de missão na igreja, eles são a visibilidade daquilo que na teoria se chama missão, que deve ser entendida desde o chão em que nossos pés pisam, superando as visões simplistas de missão como propagação da fé e expansão da igreja. Não deixam de ser, mas no caso dos grupos de famílias o enfoque missionário é em manter, de modo dinâmico, vivo, aquilo que já se vive, reza e reflete, haja vista que a Pastoral Missionária tem como função substituir a mera pastoral de conservação (manter o estabelecido).
 
A fé cristã é intrinsecamente missionária. Dado que a missão cristã é compreendida numa relação dinâmica entre Deus e o mundo, os grupos de famílias são excelentes espaços para a missão.
 
Por fim, considerando os grupos de famílias como lugar da missão, faz-se necessário compreender que a missão exterior não é mais que a missão na diocese, na paróquia, na comunidade… A diferença entre missão exterior (outras cidades, países…) e local, não é de princípio, mas sim de alcance. Assim, ser discípulo missionário além fronteiras, ou na comunidade, na rua em que reside possui a mesmíssima dignidade, diferindo apenas o alcance.
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