A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Moura Vorcaro durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de intimidação, obtenção ilegal de informações sigilosas e monitoramento clandestino ligado ao entorno do Banco Master.
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que embasou a operação, aponta que Henrique Vorcaro teria mantido repasses financeiros ao grupo investigado conhecido como “A Turma” mesmo após as primeiras fases da operação, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo a investigação, ele também continuou acionando integrantes da organização para obter informações sigilosas relacionadas a apurações conduzidas pela própria Polícia Federal.
Investigação aponta repasses mensais de R$ 400 mil
De acordo com a decisão judicial, mensagens extraídas do celular de Marilson Roseno da Silva indicam que Henrique Vorcaro seguia financiando a estrutura investigada.
Em uma conversa citada no documento, Marilson cobra pagamentos atrasados e afirma estar “segurando uma manada de búfalo”, em referência à manutenção da estrutura criminosa.
Segundo a investigação, Henrique respondeu que faria um envio de “400”, valor interpretado pela PF como um repasse mensal de R$ 400 mil ao grupo.
O documento aponta ainda que Marilson sugeriu que o ideal seria o envio de “800k”.
Para os investigadores, as mensagens demonstram a continuidade do vínculo financeiro mesmo após o avanço das investigações da Compliance Zero.
Grupo teria acessado dados sigilosos dentro da PF
A decisão também afirma que Henrique Vorcaro continuou solicitando serviços do grupo após as operações anteriores.
Entre os pedidos investigados está a busca por informações sigilosas sobre um inquérito policial em que ele próprio havia sido intimado.
Segundo os autos, integrantes da organização teriam acionado policiais federais e delegados para realizar consultas indevidas em sistemas internos da corporação.
Os investigadores apontam que informações reservadas teriam sido acessadas por meio do sistema e-Pol, plataforma eletrônica da Polícia Federal.
Entre os citados na decisão estão a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva e o policial federal da ativa Anderson Wander da Silva Lima.
Segundo a investigação, os dados seriam repassados a Marilson Roseno da Silva para atender interesses do grupo ligado a Daniel Vorcaro.
PF aponta estrutura de intimidação e monitoramento
A Polícia Federal sustenta que os grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos” integravam uma estrutura paralela de vigilância e intimidação.
Os investigados são suspeitos de praticar coação, obtenção ilegal de dados sigilosos e invasão de dispositivos informáticos.
Em uma das mensagens citadas na decisão, Henrique Vorcaro afirma: “hoje, tá ao contrário. No momento em que estou é que preciso de vocês”.
Para os investigadores, a conversa reforça que ele seguia recorrendo à estrutura investigada mesmo após a deflagração das primeiras fases da operação.
Henrique Vorcaro foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ao todo, a operação desta quinta-feira cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão.
Defesa questiona decisão judicial
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão se baseia em fatos cuja licitude e racionalidade econômica ainda não foram comprovadas no processo.
Os advogados alegam que os esclarecimentos não foram solicitados previamente à defesa nem ao investigado.
Segundo a nota, “o ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária”.
