
Zahyra Mattar
Imbituba
Assim que retornarem do recesso, no dia 6 do próximo mês, os vereadores de Imbituba decidirão se acolherão, ou não, o pedido de mais uma Comissão Especial Processante (CEP). Desta vez, a denúncia é de um possível esquema de funcionários fantasmas, supostamente protagonizado pelo vice-presidente da casa, Jaison Cardoso de Souza (PSDB), o prefeito José Roberto Martins (PSDB), o secretário de administração do executivo, Daniel Arantes Neto.
A denúncia foi apresentada nesta semana, no último encontro do legislativo antes do recesso, por meio de um ofício assinado pelo ex-presidente e membro do diretório municipal do PMDB na cidade, Júlio Cesar da Silva Attanásio.
No documento, ele expõe que, em um depoimento proferido em uma reunião do partido, foi revelado que a prefeitura teria contratado pessoas, mas elas “jamais compareceram ao local de trabalho. Algumas, inclusive, desconheciam que possuíam vínculo com a administração”.
Ainda conforme Attanásio, estas pessoas foram contatadas pelo vice-presidente da câmara, que teria combinado a data de contratação e o valor que receberiam, “sem no entanto informar que seriam pagas pelo erário municipal”.
O presidente do legislativo, Elísio Sgrott (PP), leu o ofício em plenário e enviou o documento, onde estariam anexados contra-cheques, para o setor jurídico. O pedido será levado para apreciação na primeira sessão após o recesso.
Sindicância será aberta
Mesmo em São Paulo, ontem, o prefeito de Imbituba, José Roberto Martins, confirmou por telefone que abrirá uma sindicância para apurar a denúncia de esquema de contratação de funcionários fantasmas na administração.
Beto adiantou também que não quer aguardar o pronunciamento da câmara. Indignado, ele atribui o pedido de abertura de uma Comissão Especial Processante (CEP) uma retaliação do PMDB a abertura de outra investigação na casa, contra o vereador peemedebista Thiago Machado.
“Este circo foi criado pelos mesmos protagonistas da maior fraude na história da política de Imbituba: a convenção do PMDB. A prefeitura tem 1,5 mil funcionários. Não tenho como acompanhar o que cada um faz. Se alguém recebeu sem trabalhar, não foi, jamais, com a minha conivência. Agora, supor esquema de contratação. O que é isso?”, rebate Beto.
O prefeito frisa ainda que a denúncia versa, até onde tem conhecimento, a um caso isolado. Trata-se de uma rapaz que atuou como comissionado por pouco tempo, com um salário não superior a R$ 700,00. Ele já estaria desligado da prefeitura há pelo menos dois meses.
“O que chama a atenção é que este cidadão é do PMDB e é um dos investigados na CEP aberta para investigar fraude na convenção da sigla”, ataca Beto.
Ele sublinha também que a sindicância será instaurada nos próximos dias. Caso seja apurada irregularidade, o ex-funcionário comissionado será intimado a devolver o dinheiro.
Caso não o faça terá o nome inscrito na dívida ativa do município. “E, se ficar apurado que o chefe imediato deste rapaz tem culpa no cartório, ele também será punido, inclusive com a exoneração, se for o caso”, antecipa o prefeito.
Vereador não acredita na abertura da CEP
O vice-presidente da câmara de vereadores de Imbituba, Jaison Cardoso de Souza (PSDB), também é citado na denúncia feita à casa esta semana, onde ele, o prefeito Beto Martins e o secretário de administração do executivo, Daniel Arantes Neto, comandariam um suposto esquema de contratação de funcionários fantasmas.
Jaison também considera que as acusações feitas pelo ex-presidente e membro do diretório municipal do PMDB na cidade, Júlio Cesar da Silva Attanásio, são de cunho político e têm o intuito de revidar à abertura da Comissão Especial Processante (CEP) contra o vereador Thiago Machado (PMDB).
O colega de casa foi indiciado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por uma suposta compra de votos na convenção do PMDB de Imbituba, ocorrida no dia 15 de junho. Ele é alvo de uma CEP, aberta este mês, para apurar se houve quebra de decoro parlamentar.
“Minha consciência está tranquila. Também não acredito que a mesa diretora vai acatar o pedido. Não por mim, mas pelo fato de ser uma questão da prefeitura e isto deveria ser investigado pelo Ministério Público”, pontua Jaison.
Secretário de administração do executivo, Daniel Arantes sustenta a mesma opinião e defende a instauração de uma sindicância para apurar os fatos. “Se há irregularidade, é preciso apurar e punir os responsáveis”, destaca.
Jaison Cardoso de Souza (PSDB) acredita que a denúncia feita na câmara trata-se de um ato meramente político, com o intuito de revidar à abertura da CEP contra um vereador do PMDB