A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar uma aposentada suspeita de maus-tratos após mais de 400 gatos serem encontrados vivendo em condições consideradas insalubres dentro de um apartamento em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina. A investigação foi anunciada na quinta-feira (28), após pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para garantir o acesso de equipes técnicas ao imóvel.
Segundo as autoridades, os animais apresentavam sinais de debilidade e doenças, o que motivou medidas emergenciais para atendimento veterinário e retirada gradual dos felinos do local.
O crime de maus-tratos a animais prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.
Justiça autoriza retirada dos animais
O caso ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público informar que a proprietária do imóvel estaria dificultando a entrada das equipes responsáveis pelo acompanhamento dos animais.
De acordo com o MPSC, a tutora descumpriu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Prefeitura de Concórdia. O acordo previa atendimento veterinário para todos os gatos em até 30 dias e a remoção gradual dos animais ao longo dos meses seguintes.
Diante da situação, a 4ª Promotoria de Justiça de Concórdia ingressou com uma ação pedindo autorização judicial para entrada imediata das equipes técnicas, inclusive com possibilidade de apoio policial.
A Justiça acatou o pedido e determinou a apreensão e remoção dos animais.
Resgate será feito de forma gradual
Conforme decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), os gatos deverão ser retirados do apartamento gradualmente, em grupos mínimos de 25 animais por dia.
A medida busca reduzir o estresse dos felinos e garantir condições adequadas durante o transporte.
Após o resgate, os animais passarão por avaliação veterinária, período de quarentena e procedimentos de castração antes de serem encaminhados para adoção responsável.
O município ficará responsável pela guarda, tratamento e destinação dos gatos.
Segundo a diretora de Bem-Estar Animal de Concórdia, Juliana Lupatto, a ação busca evitar que a situação se agrave ainda mais.
“Estamos tentando ajudar para que o caso não tome maiores proporções, já que muitos gatos já morreram e tantos outros estão com grandes problemas de saúde”, afirmou.
Problema começou há mais de dez anos
Segundo a prefeitura, a situação teve início há mais de uma década, quando a moradora possuía apenas um casal de gatos.
Sem controle reprodutivo, a população de felinos aumentou gradativamente ao longo dos anos até alcançar cerca de 400 animais.
O apartamento possui aproximadamente 200 metros quadrados e 11 cômodos, localizado em uma área residencial da cidade.
Imagens divulgadas pelo município mostram gatos aglomerados em diversos ambientes do imóvel, incluindo janelas, móveis e corredores.
Saúde dos animais preocupa autoridades
A Diretoria de Proteção Animal informou que a preocupação aumentou após constatação de que diversos gatos apresentavam problemas de saúde relacionados às condições do ambiente e à superlotação do imóvel.
Equipes do município e profissionais ligados ao curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense participarão das ações de triagem, atendimento e recuperação dos animais.
Além da investigação criminal, o caso segue sendo acompanhado pelo Ministério Público e pelo Judiciário.
