Um documento elaborado em 2022 e encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já apontava falhas estruturais na Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no Sul de Santa Catarina, incluindo risco de colapso em determinados elementos da estrutura. O material veio à tona enquanto a ponte permanece parcialmente interditada para reparos emergenciais iniciados na última quinta-feira (9).
Segundo a concessionária ViaCosteira, responsável pela administração do trecho da BR-101, a intervenção realizada atualmente não está relacionada diretamente ao problema identificado em 2022. Em nota, a empresa afirma que a ocorrência atual está localizada na mesma seção da ponte, porém em um ponto diferente da estrutura, e que os reparos apontados anteriormente foram executados e concluídos com acompanhamento técnico especializado.
Relatório de 2022 identificou falhas estruturais
O documento, datado de 10 de outubro de 2022, foi enviado à ANTT após uma sondagem técnica realizada na ponte.
Na ocasião, os engenheiros identificaram:
- abertura entre as aduelas 06-07 e 14-15 do vão central;
- problemas nas aduelas 08-09 do vão lateral;
- rompimento de quatro barras que conectam a laje inferior da estrutura.
Conforme o relatório, essas anomalias representavam risco estrutural e exigiam intervenções corretivas.
A ViaCosteira informou que, após essa inspeção, executou todas as obras necessárias para restabelecer as condições previstas de funcionamento da ponte.
Empresa pediu restrição temporária para caminhões
Em nova comunicação enviada à ANTT em 25 de junho deste ano, a concessionária informou a necessidade de restringir temporariamente a circulação de veículos de carga sobre a ponte.
A proposta previa limitar o peso a 10 toneladas por eixo simples de caminhões com quatro pneus, nos dois sentidos da rodovia, durante aproximadamente seis meses, período necessário para aprofundar os estudos técnicos sobre o comportamento estrutural da obra.
Outro documento, elaborado em 8 de julho, apontou o rompimento parcial de fios internos em um dos cabos de sustentação do vão central, situação que motivou a interdição emergencial iniciada na última semana.
Em outra comunicação, datada de 6 de julho, a empresa informou que busca desde 2022 documentos e projetos executivos da construção da ponte. Segundo a concessionária, esse histórico é importante para compreender com maior precisão as causas das ocorrências registradas na estrutura.
Interdição segue até 20 de julho
A atual interdição foi determinada após uma inspeção especial identificar o rompimento parcial de fios internos em um dos cabos de sustentação da ponte.
De acordo com a ViaCosteira, apenas um dos 90 cabos do sistema estrutural apresentou a anomalia. O cabo não se rompeu totalmente, mas, por medida preventiva, a concessionária decidiu bloquear o tráfego para executar o reparo e realizar novas análises.
O sentido Sul da BR-101 foi interditado ainda na noite de quinta-feira (9). Já o sentido Norte permaneceu operando em meia pista até a tarde de sexta-feira (10), quando também foi totalmente bloqueado.
A previsão é que os trabalhos sejam concluídos até 20 de julho.
Trânsito utiliza desvios e enfrenta congestionamentos
A interdição provocou impactos no tráfego da BR-101. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o congestionamento chegou a aproximadamente seis quilômetros na manhã desta terça-feira (14).
Durante o período de manutenção, os motoristas devem utilizar desvios pelas vias marginais e pela Ponte de Cabeçudas.
Sentido Sul (Porto Alegre):
- Desvio no km 311 da BR-101;
- Acesso pela via marginal;
- Passagem pela Ponte de Cabeçudas;
- Retorno à pista principal após o bairro Bananal.
Sentido Norte (Florianópolis):
- Desvio no km 315, no bairro Bananal;
- Utilização da via marginal;
- Travessia pela Ponte de Cabeçudas;
- Continuação pela marginal, que opera temporariamente em mão dupla.
Cartão-postal de Laguna
Inaugurada em 2015, a Ponte Anita Garibaldi possui 2,8 quilômetros de extensão e integra o trecho sul da BR-101.
A estrutura é considerada uma das maiores pontes estaiadas em curva do Brasil. O vão central possui 400 metros de extensão, sustentado por 60 cabos de aço, além de duas torres com mais de 50 metros de altura.
O que diz a ViaCosteira
Em nota, a ViaCosteira informou que mantém monitoramento permanente da Ponte Anita Garibaldi desde o início da concessão e que as inspeções são realizadas periodicamente por equipes técnicas especializadas.
A empresa afirma que o problema identificado neste ano é diferente daquele registrado em 2022, embora esteja localizado na mesma seção da estrutura. Segundo a concessionária, a anomalia foi detectada durante uma inspeção de rotina e o bloqueio da ponte foi adotado preventivamente para garantir a segurança dos usuários e permitir a execução dos reparos.
