Em coletiva, Candemil disse que é vítima e querem tirá-lo do poder executivo.
Willian Reis
Laguna
Alvo de investigação no legislativo, o prefeito de Laguna, Mauro Candemil (PMDB), disse ontem que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seria um golpe para tirá-lo do poder. “A CPI foi armada. São denúncias vazias, infundadas, feita por gente de má-fé que quer o poder por meio de golpe”, criticou.
Na quarta-feira passada, por oito votos a três os vereadores aprovaram a instalação de uma CPI para investigar denúncias envolvendo Candemil, entre outros.
As denúncias, apresentadas pelo vereador Osmar Vieira (PSDB), estão divididas em seis partes. Quatro delas se referem a supostas irregularidades em aditivos de contratos firmados pelo município. Outro ponto questiona a forma do pagamento de obras executadas nos morros do Hospital e da Nalha e na Estrada Geral da Figueira.
O último item do requerimento pede apuração de denúncia oferecida pela servidora pública estadual Simone Braga ao Ministério Público. Ela cita duas supostas fraudes em licitações, ocorridas na Agência de Desenvolvimento Regional de Laguna (ADR), e questiona a nomeação do vice-prefeito Júlio César Willemann a presidente da Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama).
“Estão sendo apresentadas picuinhas. É uma CPI por motivos fúteis e pequenos. Produziram documentos falsos e mentirosos”, afirmou. Candemil disse que o suposto plano para tomar o governo está sendo tramado desde dezembro. “Tenho CD, pen drive, fotos, gravação de voz. Provoquem para ver o que vai dar. Não tem receio”, ameaçou.
Candemil argumentou que os aditivos poderiam ter sido explicados por requerimento. Defendeu-se dizendo que tiveram de ser feitos para ajustar contratos firmados na gestão anterior.
Sem poupar críticas à Câmara, o prefeito alegou que a denúncia oferecida por Simone ao Ministério Público foi feita após a servidora ter sido pressionada. Disse que a cidade, hoje com dívidas em R$ 29 milhões, vai ser prejudicada com o clima gerado pela CPI.
Candemil diz que denunciantes serão processados
“Espero que a Câmara tenha consciência e volte atrás”, afirmou o prefeito, que prometeu processar os autores das denúncias. “Senti-me traído por pessoas de minha confiança”, contou. Candemil disse ainda que Simone foi coagida após ter perdido um cargo em comissão na ADR.
Na entrevista, a prefeitura distribuiu uma declaração de quatro páginas, assinada por Simone e encaminhada ao Ministério Público. Nela, a servidora agora diz que as denúncias que havia feito antes, acusando Candemil e outras pessoas, são falsas. Afirma que seu primeiro depoimento foi feito sob coação do atual presidente da Câmara, Cleosmar Fernandes (PMDB).
Servidora diz que foi ao cartório por recomendação
Sobre trocas de documentos em licitações da ADR, Simone relata na nova declaração que se encontrou com Fernandes e outra pessoa em 3 de dezembro, quando teria negado suspeitas de irregularidade. Afirma também que não entregou nenhum documento durante a conversa.
Em outro encontro, em janeiro, Simone conta que, por estar fragilizada com síndrome do pânico, repassou documentos que comprovavam, segundo ela, ser lícito o trabalho feito na ADR. Afirma que, por orientação do grupo, foi até um cartório em Imaruí. Segundo Simone, uma das pessoas próximas ao vereador foi quem narrou os fatos, e a servidora apenas assinou o documento.
Presidente da Câmara nega acusações
O presidente da Câmara nega todas as acusações de Simone e diz que vai entrar com ação criminal contra ela. Afirma que foi a servidora quem o procurou duas vezes oferecendo as denúncias contra Candemil. “Não existe coação. O prefeito é do mesmo partido que o meu, tanto que foi o vereador Osmar quem fez a denúncia. A servidora queria me usar, mas nem a conheço direito”, defende-se.
Fernandes diz que o novo documento foi produzido para “desviar o foco da CPI”. “Acho que essa denúncia foi feita a mando de Candemil para ele inverter o foco”, sugere.
CPI está definida
A CPI tem até 60 dias para apresentar parecer. Os vereadores Rhoomening Rodrigues (PSDB) e Rodrigo Moraes (PR) foram eleitos presidente e relator da CPI, respectivamente. Ao todo cinco membros formam a comissão, que se reúne hoje.
