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Produção cai, preço sobe

A queda na produtividade agrícola no país já reflete no preço das frutas, verduras e legumes. Dona Marlene quem o diga. Hoje ela gasta pelo menos R$ 15,00 por semana para comprar o básico. “Está tudo caro”, reclama a dona de casa
A queda na produtividade agrícola no país já reflete no preço das frutas, verduras e legumes. Dona Marlene quem o diga. Hoje ela gasta pelo menos R$ 15,00 por semana para comprar o básico. “Está tudo caro”, reclama a dona de casa

 

Angelica Brunatto
Tubarão
 
A dona de casa Marlene Nunes, 72 anos, de Tubarão, não passa uma semana sem ir à feira. Em média, gasta R$ 15,00 com frutas, legumes e verduras. Na sacola, nunca falta cenoura, batata, cebola, tomate e moranga. 
 
Nos últimos 20 dias, dona Marlene tem notado que o preço final das compras semanais aumento. E realmente está mais caro ter o básico em casa. Isto porque todos os setores vinculados a agricultura, em todo o Brasil, registraram queda na produção.
 
O resultado dona Marlene, e todo os outros milhões de brasileiros, sente no bolso. Em Tubarão, por exemplo, muitos supermercados e ouros estabelecimentos que atuam no setor, adquirem os hortifrutigranjeiros de empresas de fora do estado.
 
“O tomate é o produto que teve a maior alta até agora”, aponta a gerente do O Cestão, Cátia Regina Menegaz. O preço da caixa de 22 quilos custa hoje, em média, R$ 90,00. Há dois meses, esta mesma quantidade era adquirida por menos R$ 20,00.
 
Para o consumidor, o preço também aumentou. Em junho, o quilo da fruta custava R$ 1,38. Agora, é difícil encontrar o tomate por menos de R$ 4,77 o quilo. “Além disso, há vários outros produtos, como cenoura, batata e cebola, que estão mais escassos e caros no atacado”, revela Cátia.
 
Custo alto da produção é um  dos maiores motivos do aumento
Conforme o relatório divulgado pelo IBGE ontem, a produção no setor agrícola recuou 3,9% nos primeiros seis meses deste ano, comparado ao mesmo período de 2011. Na região, segundo o presidente da Copagro, Dionísio Bressan Lemos, o comportamento foi estável. “No estado, a queda maior foi na região oeste, por causa da estiagem. Mas isto já era esperado no Brasil”, lembra.
O forte da Região Metropolitana de Tubarão é a produção de arroz. Assim como no restante do país, por aqui a safra deste ano também foi menor. Nos 22 mil hectares plantados, foram colhidas 194 mil toneladas do grão. A saca de 50 quilos do produto com casca é comercializada a R$ 30,00.
Mas o preço de custo desta mesma quantidade pode chegar a R$ 25,00. Este desequilíbrio reflete nos preços para o consumidor. Hoje, um pacote de cinco quilos de arroz não custa menos de R$ 7,00 nos supermercados. Na outra ponta, o rizicultor tem um lucro mínimo. Isto quando não paga para produzir.
 
Efeito cascata: no campo, para produzir uma saca de 50 quilos de arroz, o rizicultor investe até R$ 25,00. Esta mesma quantidade é comprada pela indústria por R$ 30,00. Nos supermercados, a saca de cinco quilos não sai por menos de R$ 7,00
 
Suinocultura ensaia reação
Ao que tudo indica, as medidas emergenciais adotadas pelos governos federal e estadual, para auxiliar os suinocultores começaram a surtir efeito. A cotação do animal vivo subiu em todas as regiões, conforme dados da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS). No momento, o produtor recebe R$ 2,70 por quilo de peso vivo. 
Até o mês passado, os suinocultores chegaram a receber R$ 1,90 por quilo de peso vivo. Um valor muito inferior ao custo de produção, de R$ 2,57 por animal. Além de abrir mais espaço à carne suína nas escolas, abrigos e centros de atenção social, hospitais e presídios do estado, o governo formulou campanhas de incentivo ao consumo.
“A expectativa é de que o preço pago ao produtor continue a subir”, prevê o secretário estadual da agricultura e da pesca, João Rodrigues. Até o dia 31 deste mês, será válida a isenção para o ICMS interestadual para a saída de suínos vivos, e de carne suína fresca, resfriada ou congelada.
A crise no setor é evidente desde 2007, mas tudo agravou-se no mês passado, em função do aumento no preço dos principais commodities utilizados na alimentação dos animais – o milho e a soja -, e também em virtude do aumento da produção sem que o consumo do mercado brasileiro tenha acompanhado este crescimento.
 
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