Início Geral Professores tiveram que ‘passar’ alunos

Professores tiveram que ‘passar’ alunos

Os alunos da rede estadual voltaram às salas após quase dois meses de greve
Os alunos da rede estadual voltaram às salas após quase dois meses de greve

 

Zahyra Mattar
Tubarão
 
Em novembro do ano passado, quando os professores da rede estadual fizeram a última assembleia geral, o primeiro item da pauta não era a questão salarial, e sim a implantação do ensino de nove anos.
O novo sistema foi instituído pelo Ministério da Educação (MEC) em 2005 e adotado por Santa Catarina no ano seguinte. O problema é que o antigo modelo não foi levado adiante.
 
O reflexo é visto agora, com um excesso de alunos nas salas de aula e professores sobrecarregados. Em 2006, todas as crianças com 6 e 7 anos foram colocadas na primeira série do ensino fundamental.
Neste ano, eram necessárias duas quintas séries: uma para os alunos de 6 anos, que ingressaram pelo novo modelo, e outra para os de 7, que eram do anterior, de 8 anos.
 
Mas o governo catarinense quer a união dos sistemas. Resultado: ninguém reprova, ou melhor, reprova, mas não por conta das notas e sim pela falta de frequência.
 
“Para que escola, para que professores? Criamos analfabetos funcionais e não futuros cidadãos. Isto já ocorreu em 2010, neste ano e será ainda pior no próximo ano letivo”, lamenta uma das coordenadoras do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) em Tubarão, Tânia Fogaça.
 
A ordem para passar os alunos de 5ª e 6ª séries dos dois sistemas é da secretaria estadual de educação. A correção do fluxo, um nome melhorado para a reposição do conteúdo do aluno que reprovou, será feita na série em que ele estará no próximo ano.
 
Se “passou” para 5ª, aprenderá o conteúdo da 5ª e 6ª séries no mesmo ano, e assim por diante. Conforme a circular da secretaria de educação, “o programa de correção de fluxo será desenvolvido somente no próximo ano”.
 
Projeto Ambial e atividades complementares estão suspensos
Mesmo sem a concretização da municipalização do ensino como gostaria, para o próximo ano, o planejamento do governo do estado evidencia o fim da gestão estadual do ensino fundamental.
Uma prova disso é a suspensão, por tempo indeterminado, do desenvolvimento do projeto de Educação Ambiental e Alimentar  (Ambial) e atividades curriculares complementares.
As salas de informática também estão com os dias contados em muitas instituições. Em 2012, para ter um espaço, a instituição deverá ter, no mínimo, 100 alunos por turno. Antes, a regra eram 100 alunos por escola.
“Na região, a maioria das unidades tem 120, 150 alunos em dois turnos. Na nossa avaliação, é o fim das salas de informática”, pontua uma das coordenadoras do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) em Tubarão, Tânia Fogaça.
 
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