O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do serviço de imigração e alfândega dos Estados Unidos, o ICE. A informação consta no sistema oficial do Departamento de Segurança Interna americano nesta segunda-feira (13).
O local onde ele está detido não foi divulgado pelas autoridades norte-americanas.
Condenação e fuga do Brasil
Alexandre Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. A decisão envolve crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.
Após a condenação, o ex-deputado deixou o país mesmo estando proibido de sair do Brasil. Ele teria atravessado a fronteira com a Guiana e, em seguida, embarcado para os Estados Unidos utilizando passaporte diplomático.
Desde então, passou a constar na lista de foragidos internacionais da Interpol.
Pedido de extradição
O governo brasileiro formalizou, no fim de 2025, um pedido de extradição de Alexandre Ramagem às autoridades dos Estados Unidos.
A solicitação foi encaminhada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano. Até o momento, não há confirmação sobre a análise ou eventual decisão sobre o pedido.
Depoimento ao STF
Mesmo fora do país, Ramagem prestou depoimento por videoconferência ao STF em fevereiro deste ano. O processo faz parte da ação penal que investiga a tentativa de ruptura institucional no país.
A tramitação do caso havia sido suspensa enquanto ele ainda exercia mandato parlamentar, sendo retomada após a perda do cargo.
Trajetória política e na segurança pública
Antes da atuação no Congresso Nacional, Alexandre Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Delegado de carreira da Polícia Federal, ele também foi desligado da corporação após a condenação judicial. O mandato como deputado federal foi encerrado em dezembro de 2025, por decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Próximos passos
Com a confirmação de que está sob custódia do ICE, o caso pode avançar para uma possível extradição ao Brasil. O processo, no entanto, depende de trâmites legais e análise das autoridades norte-americanas.
