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Quando ainda passa um filme na nossa memória…

Geraldo de Oliveira Souza ainda lembra os tempos de operador de projetor no cinema
Geraldo de Oliveira Souza ainda lembra os tempos de operador de projetor no cinema
Maycon Vianna
Tubarão
 
Sentados nas diversas fileiras nos nostálgicos anos 40 até o fim da década de 90. Quem viveu neste período, em Tubarão, com certeza esperava o lançamento de mais um filme de sucesso. Os mais de mil lugares eram ocupados rapidamente. Contos e histórias das mais simples, as mais surpreendentes podem ser contadas por quem trabalhou no tradicional Cine Vitória.
 
E um homem viveu grandes momentos dentro daquele casarão por 28 anos. Alaor Della Roca, hoje, aos 72 anos, não consegue esconder a emoção dos áureos tempos do cinema na Cidade Azul, um dos maiores do estado. “Cheguei para atuar em novembro de 1975 a convite dos representantes da empresa Lageana de Cinema e Teatro, atualmente a rede Arco-Íris, de Porto Alegre. Acredito que tenha sido influenciado um pouco pelo trabalho do meu avô, Afonso Della Roca, que foi pioneiro como exibidor no estado”, recorda.
 
O gerente do Cine Vitória colocou a família inteira para trabalhar. Uns ajudavam na bombeniere, outros eram auxiliares na parte administrativa. “Sou um apaixonado pela sétima arte. Vivi um tempo que ir assistir a um filme era um acontecimento, em especial aos domingos. As pessoas se vestiam bem, aguardavam o próximo lançamento”, lembra.
 
Com a chegada dos shoppings, os chamados cinemas de calçadas perderam espaço. O Cine Vitória, inaugurado em 16 de junho de 1948 com o filme Marujos do Amor, encerrou as atividades em 1995 com o filme Space Jam, com o Pernalonga e o Michael Jordan. “As salas são menores e localizadas em grandes empreendimentos. Não acredito que o Cine Vitória volte a funcionar, ainda mais que não tem estacionamento e que arrendamento dá mais lucro”, enfatiza.
 
 
Um lugar cheio de histórias
Quem frequentou o Cine Vitória mal sabe de tantas curiosidades que fizeram parte dos seus 47 anos de história. Geraldo de Oliveira Souza foi um dos operadores por mais de três anos. Ele detalhe que os aparelhos para a exibição eram a rolo e alguns longas-metragens de até 12 partes.  “Lembro que muitas pessoas que assistiram o Exorcista passaram mal depois do término do filme. E imagina que eu era o último a fechar o cinema. O medo era grande”, lembra Geraldo, que na época tinha 16 anos.
Outro fato curioso foi na enchente de março de 1974. A água começou invadir o Cine Vitória, no calçadão da cidade, e tinha muita gente assistindo filme. “O pessoal começou a correr para as partes em que não havia água e o desespero foi total. Só me recordo que peguei a minha bicicleta e sai”, detalha Geraldo.
Alguns filmes das sessões matinês lotavam os 1,1 mil assentos do local. O ex-gerente, Alaor Della Roca, recorda que Xuxa, contra o baixo astral lotou todos os horários da tarde. “Vieram excursões de outras cidades. Ônibus estacionavam em frente ao calçadão e os espectadores se dirigiam para as bilheterias. Foi a obra cinematográfica que mais trouxe público ao Cine Vitória”, confirma.
 
 
 
 
Curiosidades do Cine Vitória
  • 8 pessoas era o número de funcionários do cinema;
  • Sessões eróticas eram exibidas após as 22 horas, mas nunca aos domingos. A censura era muito rígida, principalmente no período da ditadura militar;
  • 1,1 mil lugares (300 na parte de cima conhecida como balcão e 800 na parte de baixo);
  • O local de cima do Cine Vitória foi interditado em algumas sessões por vandalismo. Em um dos casos, uma mulher que assistia a um filme quase foi atingida por um rojão;
  • Os irmãos Althoff idealizaram o Cine Vitória;
  • O lanterninha levava o público até os assentos que ainda sobravam;
  • Em filmes de mais de três horas era obrigatório uma parada para o intervalo;
  • A projeção do Cine Vitória era feita com lâmpada de arco voltaico com rolos de filmes de 35 milímetros, depois passou a ser com xênon. 
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