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Revistas nas celas agora são diárias

Evitar as fugas, grades serradas, buracos nas paredes, a descobrir materiais cortantes e celulares, entre outros deslizes, são objetivos das revistas diárias nas celas do Presídio Regional
Evitar as fugas, grades serradas, buracos nas paredes, a descobrir materiais cortantes e celulares, entre outros deslizes, são objetivos das revistas diárias nas celas do Presídio Regional

 

Mirna Graciela
Tubarão
 
Não há como negar que a troca no comando de qualquer instituição ocasiona mudanças e, consequentemente, há descontentamento por parte de algumas pessoas. Quando se trata da questão segurança, isso se torna ainda mais delicado.
 
Há quase 30 dias à frente da direção do Presídio Regional de Tubarão, Robson de Sousa Sipriano sente na pele tal situação. Apesar de um pouco precoce, ele já avalia este período como proveitoso. “Se os detentos estão reclamando, é porque está sendo positivo”, considera Robson.
 
Na sua análise, a mudança que causou maior indignação na massa carcerária foi a implantação da revista diária em todas as celas. Isso ocorria antes, mas de forma superficial. “Eles checavam as grades, mas não havia uma inspeção minuciosa”, explica o gerente.    
 
O objetivo é evitar fugas, grades serradas, buracos nas paredes, descobrir materiais cortantes e celulares, entre outros deslizes. “O resultado já é satisfatório. Assim que assumimos, encontramos cartas de facções criminosas, objetos cortantes e, inclusive, droga. As apreensões foram poucas, ocorreram umas três vezes. Hoje, o quadro é diferente em função da adoção da medida”, comemora Robson.
 
Outra reclamação, que inclusive chegou à redação do Notisul, é que os presos estão sem tomar banho de sol. “Isto chega a ser engraçado. A melhoria nos dois pátios foi um pedido deles. Em dias de chuva, as visitas se molhavam. A reforma é feita em datas diferentes para que não fiquem sem o espaço”, justifica Robson.
 
Projetos em andamento
Uma das metas do gerente do Presídio Regional de Tubarão, Robson de Sousa Sipriano, é que todos os detentos do semiaberto tenham uma ocupação profissional. Dos 115 apenados, 59 atuam em empresas fora da unidade. Dez trabalham dentro do presídio.
 
Restam 46, que estão ociosos. A intenção é mudar esse quadro em breve. O gerente está em negociações com empresários para viabilizar os empregos. Além de trabalhar a ressocialização, também existem projetos na parte educacional.
Uma sala de aula será reativada (hoje é uma oficina) na estrutura do semiaberto. Doze presos passarão por uma avaliação e receberão um certificado do ensino médio.      
 
Um convênio também é firmado com o Senai e o Senac. Na sala, ocorrerão cursos de pedreiro e de ajudante de carga e descarga de mercadorias. Outro espaço educacional é viabilizado (está em reforma) e será voltado exclusivamente para os apenados do regime fechado. 
 
“Também tenho planos de conseguir um contêiner com a Companhia Docas de Imbituba. Pretendemos transformá-lo em uma oficina de trabalho aqui no presídio para os do regime fechado”, organiza-se Robson. A Comissão Técnica de Classificação é que avaliará os detentos que poderão estudar e trabalhar. 
 
Como é feito o controle do que entra no presídio
A entrada de entorpecentes e outros objetos em presídios é uma realidade brasileira. Nem sempre há como realizar uma fiscalização rigorosa e esta prática, muitas vezes, foge do controle dos agentes penitenciários. 
 
No Presídio Regional de Tubarão, todas as visitas são inspecionadas. Mulheres de detentos passam por um procedimento. Elas ficam de cócoras e uma agente feminina faz a verificação. Afinal, já houve casos de introdução de droga na vagina.  
 
“Não generalizo. Mas nossa suspeita é de que isso ocorra nas visitas íntimas. Com as grávidas de seis meses em diante, devido ao estado em que se encontram, o exame não é realizado. Ainda existe outra forma de entrar droga no presídio, que é a ingestão, para expelir depois. Nesse caso, ainda não temos como fiscalizar”, explica o gerente do Presídio Regional de Tubarão, Robson de Sousa Sipriano. 
 
Capacidade do presídio
Total: 447 detentos
Semiaberto: 115
Regime fechado: 332
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