Zahyra Mattar
Tubarão
issão entre Orleans e São Ludgero não fique pronta até o próximo domingo, como está previsto, será feito um “sorteio” para definir qual cidade ficará no escuro primeiro. Isto se a atual linha não romper e deixar pelo menos dez municípios sem energia elétrica.
A situação é caótica e considerada gravíssima pelo gerente regional da Celesc, Gerson Bittencourt. “O sistema está sobrecarregado há duas semanas. Nesta, a luz vermelha acendeu e quinta-feira tivemos que deixar metade de São Ludgero sem luz por 11 minutos e ontem (sexta-feira) foi a vez de Grão-Pará. Todo o município só não ficou no escuro porque cortamos o abastecimento à tarde”, lamenta Gerson.
Todo o problema é gerado pelo excessivo calor. Com isso, quem tem ar-condicionado, liga o equipamento. Junto disso, o Vale e alguns municípios serranos abastecidos pela subestação de Braço do Norte concentram grande número de fumicultores – e agora é época da safra, então, as estufas de secagem estão em pleno funcionamento – e granjas de frango.
Paralelamente, o embargo da construção da subestação Orleans-São Ludgero, que supriria a demanda do Vale, já saturada, colaborou para que agora a situação chegasse a este ponto. “Se não desligarmos o sistema, o cabo da linha de transmissão pode romper e aí são dez cidades sem energia por pelo menos três horas”, enfatiza Gerson.
A subestação de Braço do Norte suporta uma carga de até 392 amperes. Na quinta-feira, quando o sistema precisou ser desligado, a subestação marcada 440 amperes. “Esta sobrecarga é registrada há uma semana e quinta-feira chegou ao limite. Na segunda-feira, por exemplo, tivemos que utilizar um caminhão pipa para molhar os transformadores em Gravatal. A situação é extremamente preocupante. Mais que isso, é caótica”, define o gerente regional.
População precisa economizar
Nesta sexta-feira, o gerente regional da Celesc, Gerson Bittencourt, reuniu-se, em Braço do Norte, com os presidentes de cooperativas de eletrificação rural e empresários. Na segunda-feira, autoridades irão em cada comércio para explicar o problema e pedir a ajuda da população.
“Ou a população nos ajuda e economiza energia, ou vamos ter que começar a fazer sorteio para saber qual o município ficará sem luz por algum tempo”, lamenta Gerson.
O pico do consumo é das 13h30min às 15h30min e, pela previsão dos engenheiros, é possível que o problema persista durante todo este mês. A esperança está na inauguração da subestação de Orleans, cuja linha de transmissão seguirá até São Ludgero.
A obra já poderia estar pronta, mas os proprietários das terras desapropriadas para a construção do novo sistema questionaram os valores na justiça, que embargou a obra.
Após meses de tentativas, a liminar a favor dos proprietários das terras só foi derrubada após um decreto do Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que tornou a subestação e as linhas de transmissão de utilidade pública.
“Os trabalhos foram retomados há pouco tempo e a previsão de inauguração era de 40 dias. Mas pedimos para a empreiteira agilizar e eles colocaram todos os funcionários disponíveis para terminar a construção até o próximo domingo”, torce Gerson.
Há uma semana, falta água em Braço do Norte
Wagner da Silva
Braço do Norte
Torneiras sem uma gota de água. A semana foi seca para muitos moradores de Braço do Norte em virtude de um rompimento na rede. O vazamento ainda não foi localizado pelos técnicos da Casan. Muitas famílias ficaram sem água até mesmo para a higiene pessoal. Banho, somente na casa de amigos ou parentes.
Muitos moradores improvisaram. É o caso da dona de casa Iraci Antunes das Neves, do bairro São Mateus. Ela, outros três adultos e quatro crianças ficaram sem absolutamente uma gota de água já na segunda-feira. “É com este pouquinho que cozinho e lavo a louça. Banho é só de caneca”, explica Iraci.
Na casa da comerciante Terezinha Oliveira Damião (foto), a situação só não é pior porque ela possui duas caixas d’água. “Racionamos para não ficar sem. Mas, como o problema ocorre desde o começo da semana, também vou ficar sem uma gota”, lamenta.
O gerente interino da Casan em Braço do Norte, Klaiber Correa Clarinda, acredita que o problema poderá ser solucionado neste sábado. Até sexta-feira, mais de 50 quilômetros dos 166 da rede do município haviam sido vistoriados e o vazamento não tinha sido encontrado. Como medida paliativa, a vazão da bomba foi aumentada para que a água chegue, mesmo que lentamente, às casas.
