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Salários dos professores serão descontados

As estudantes Camila e Letícia esperam que as aulas recomecem ainda esta semana
As estudantes Camila e Letícia esperam que as aulas recomecem ainda esta semana

Karen Novochadlo
Tubarão

Hoje, uma reunião em Tubarão com os diretores e representantes da gerência regional de educação começa a definir quantos ACTs serão necessários contratar para substituir, temporariamente, os professores estaduais em greve. Algumas escolas já começaram a convocar os alunos. 
 
Enquanto isso, os salários dos professores parados serão descontados. O desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina César Tridapalli suspendeu a decisão que determinava que o governo pagasse os dias parados. 
As estudantes Camila Castro Ferreira, 15 anos, e Letícia Fermino, 14, retornaram para casa ontem depois de alguns minutos de espera na Escola Jovem, em Tubarão. A expectativa de que as aulas recomeçassem não se concretizaram e poucos professores estaduais retornaram ao trabalho. O resultado foi diferente no Cedup, onde mais de 50% voltaram. 
 
“Estou bem preocupada. Não quero que ninguém saia prejudicado”, desabafa Camila. De acordo com a direção, dos 31 professores, 16 estão trabalhando. Dois retornaram ontem. “Nós esperávamos que mais voltassem. Ligamos para eles na sexta-feira e muitos confirmaram que viriam”, explica a diretora Cleusa Moraes Vieira. Na Escola Jovem, como nem todos os educadores aderiram ao movimento, algumas aulas continuaram a ser ministradas. Por isso, talvez não sejam necessárias aulas em janeiro.   
 
No Cedup, 32 dos 60 professores que paralisaram retornaram às salas de aula ontem. A direção espera que os outros 28 voltem ainda nesta semana. “Nós pedimos que os alunos retornem para as salas de aula”, orienta o diretor Ademir de Oliveira.
 
56 dias
É o tempo que já dura a paralisação dos professores da rede estadual de ensino de Santa Catarina. É uma das maiores greves da categoria nos últimos 20 anos. A principal reivindicação dos educadores é a implantação do piso nacional (R$ 1.187,97) na carreira. O governo é obrigado, por uma lei federal, a pagar este valor, porém, a briga entre as classes é quanto à carreira. O estado alega que não tem como remunerar este valor aos professores sem que sejam reduzidos benefícios e alguns direitos.
 
Professores lutam contra projeto de lei
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Santa Catarina (Sinte) admitem que há refluxo de profissionais, mas que o movimento continua firme. Só em Tubarão, mais de 280 professores estão parados. Os dados são do Sinte. De acordo com a gerência regional de educação em Tubarão, o número da paralisação na região caiu para 31%. 
 
Hoje, haverá uma reunião do comando de greve para definir as próximas ações. O grupo também mobilizou dois ônibus de Tubarão para ir a Florianópolis. Na capital, será realizada uma manifestação contra o projeto de lei número 26, enviado pelo governo para regulamentar o novo salário dos professores. Os servidores pedem que o projeto seja retirado de pauta. 
 
O projeto é baseado na última proposta apresentada, cujo teor não agrada boa parte da categoria. O governo ofereceu pagar, a partir do próximo mês, valores de 30% e 20% de regência de classe. E, em 2012, o valor voltaria para 40% e 25%. O mesmo ocorreria com as outras gratificações.
 
Se a vontade dos professores for realizada, o governo terá que reabrir as negociações, até então encerradas por parte do estado. A assembleia legislativa entra em recesso na quinta-feira e o projeto pode ser votado só no próximo mês.
 
Gerências pedem que os alunos voltem
O sistema para cadastro de vagas para professores ACTs já foi liberado nas regionais, pela secretaria de educação do estado (SEC). De acordo com a secretaria, todos os professores que não retornarem as salas de aula serão substituídos temporariamente. Os contratos com os ACTs serão renovados automaticamente a cada 15 dias, até a volta dos concursados.
 
Quando um professor voltar, o ACT auxiliará na recuperação do aluno e vai trabalhar no reforço das matérias. Ainda, os ACTs que têm contrato até o próximo dia 30 e não retornarem às salas de aula serão automaticamente substituídos. 
 
Ontem, o secretário de desenvolvimento regional em Braço do Norte, Gelson Luiz Padilha, em Braço do Norte, em reunião com os diretores, pediu o apoio de todos e que convoquem os professores para que retomem as aulas “Por parte do governo, as aulas estão de volta, para que o ano não se comprometa mais. As aulas devem ser repostas neste mês e feriados nacionais e municipais, e não deve ser trabalhado aos sábados”, afirmou o secretário.
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