Santa Catarina deverá receber um dos maiores pacotes de investimentos em infraestrutura de sua história. Os cronogramas de concessões divulgados pelo Ministério dos Transportes nesta semana projetam mais de R$ 30 bilhões aplicados em rodovias e ferrovias do Estado a partir dos leilões previstos para 2026. Ao todo, serão seis certames, envolvendo renovações de contratos e novas concessões, somando R$ 31,5 bilhões em investimentos — sem contar os custos operacionais, que também são bilionários.
O destaque do pacote é a otimização da concessão da BR-101 Norte (Litoral Sul), que sozinha representa R$ 8,5 bilhões. O contrato atual vence em 2033 e deverá ser prorrogado por mais 15 anos, mediante um novo leilão até julho para verificar se há outros interessados além da concessionária atual. Também há previsão de prorrogação da BR-116, com leilão estimado para ocorrer até setembro.
Além das renovações, Santa Catarina será palco de duas grandes novas concessões rodoviárias. O lote de maior extensão, com 515 km, inclui a BR-470 como eixo principal, além de trechos das BRs 153 e 282. Outro lote, concentrado no Oeste, reúne trechos das BRs 282, 153 e 480. O Ministério quer leiloar ambos até novembro — um desafio, considerando que as audiências públicas e a modelagem ainda não foram apresentadas, etapas que tradicionalmente geram ajustes e contrapropostas.
O movimento de expansão também chega às ferrovias. Dois dos três lotes resultantes do fatiamento da Malha Sul, cuja concessão atual vence em 2027, incluem trechos em Santa Catarina. O corredor Mafra–São Francisco do Sul, já operante, deverá compor o Corredor SC/PR. Já o tramo Mafra–Lages integrará o Corredor do Mercosul, conectando SP, PR, SC e RS. A fragmentação do contrato busca atrair novos operadores para trechos que eventualmente não estejam no interesse da atual concessionária.
