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SC fecha 2025 com maior número de mortes por intervenção policial em 18 anos

Santa Catarina encerrou 2025 com o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, em 2008. Ao todo, 100 pessoas morreram durante ações de agentes de segurança pública ao longo do ano, segundo dados divulgados nesta semana pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.

O número representa um aumento de 26% em relação a 2024, quando foram registradas 79 mortes. No mesmo período, nenhum agente de segurança pública morreu em confrontos no estado.

Aumento da letalidade e debate sobre atuação policial

A elevação da letalidade policial tem gerado debates entre especialistas, autoridades e entidades da sociedade civil. Enquanto parte do governo atribui o crescimento ao aumento das operações, pesquisadores apontam a necessidade de revisar protocolos e a formação das forças de segurança.

Os dados mostram que, entre as 100 pessoas mortas em 2025, 25% não possuíam antecedentes criminais. Para o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), Leonardo Ostronoff, o número reforça a necessidade de mudanças estruturais.

Segundo ele, é preciso uma formação policial que não trate o enfrentamento à criminalidade como uma guerra, mas como uma ação voltada à garantia da segurança da população, com foco em direitos humanos e visão cidadã.

Posição da Secretaria de Segurança Pública

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina afirma que o aumento das mortes está relacionado, principalmente, à intensificação das operações policiais ao longo de 2025.

De acordo com o secretário Flávio Graff, dois fatores são determinantes: a reação armada por parte de criminosos e o elevado número de ações realizadas pelas forças de segurança. Segundo ele, mais de 485 mil operações foram feitas no ano, além de um aumento de 82% nas ações da Polícia Militar.

O secretário também afirma que, em todos os casos com mortes, foram abertos inquéritos policiais para apurar a conduta dos agentes envolvidos.

Casos que marcaram o ano

Entre as vítimas está Ernesto Schimidt Neto, conhecido como Betinho ou “Anão da Solidão”, morto em janeiro de 2025 na Praia da Solidão, em Florianópolis. Segundo a Polícia Militar, ele estaria armado com uma faca e teria avançado contra os policiais. A família contesta essa versão.

A filha, Eduarda Schmitz, relatou que o pai já estava trancado em casa e que não havia confronto no momento da abordagem. Segundo ela, os policiais arrombaram a porta e efetuaram disparos em menos de um minuto.

Outro caso que gerou repercussão ocorreu em abril, em Balneário Rincão, no Sul do estado, quando um adolescente de 13 anos morreu durante uma ação policial. A PM informou que o jovem teria apontado uma arma durante uma perseguição. A família nega e afirma que o adolescente levantou as mãos e pediu para não ser atingido.

Perfil das vítimas e dados históricos

Antes de 2025, Santa Catarina havia registrado mais de 90 mortes por intervenção policial apenas em 2014 e 2018. O balanço dos últimos anos mostra crescimento expressivo:

2022: 44 mortes
2023: 80 mortes
2024: 79 mortes
2025: 100 mortes

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que, em 2025, a vítima mais jovem tinha 13 anos e a mais velha, 61. Menores de 18 anos representaram 9% do total de mortos.

A Grande Florianópolis concentrou o maior número de ocorrências, com 37 mortes na capital e sete em Palhoça e São José.

A Secretaria de Segurança Pública reforça que, segundo os registros oficiais, em todos os casos houve reação à ação policial. O tema segue sendo acompanhado por órgãos de controle, pesquisadores e entidades ligadas aos direitos humanos.

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