Início Opinião Semana da Família: família, trabalho e festa!

Semana da Família: família, trabalho e festa!

 

A igreja católica no Brasil, celebra, desde 1981, agosto como o mês vocacional. Lembra-se a vocação do padre, dos pais, dos religiosos, leigos e catequistas. No último domingo, ao celebrarmos o Dia dos Pais, iniciou-se a Semana Nacional da Família, que quer, uma vez mais, salientar a importância da família, que, talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Por isso, é fundamental um olhar atento, dirigido com carinho, afeto e atenção à família, patrimônio da humanidade e tesouro dos povos.
 
“É em família que se experimenta, pela primeira vez, como a pessoa humana não foi criada para viver fechada em si mesma, mas em relacionamento com os outros; e é em família que se começa a acender no coração a luz da paz para que ilumine este nosso mundo”, lembrou o papa Bento 16 no Encontro Mundial das Famílias, que tinha como tema ‘Família, trabalho e festa’.
 
Sabemos que numerosos problemas humanos e sociais, que acabam onerando a sociedade como um todo e o próprio Estado, poderiam ser evitados, ou melhor, solucionados, se houvesse maior atenção política em relação à família. Uma sociedade que descuida da família descuida de suas próprias bases.
 
Por isso que trabalho e festa são essenciais à família. A ausência de um emprego digno ou o trabalho excessivo tornam difícil a formação e a sustentabilidade da família. Quando as relações familiares e o casamento são postos em segundo plano, diante da pressão econômica, torna-se necessário parar, para avaliar e redefinir prioridades.
 
O perigo de que o trabalho torne-se um ídolo é válido para todas as famílias. Isso ocorre quando a atividade do trabalho detém o primado absoluto perante as relações familiares, quando os cônjuges sentem-se obcecados pelo lucro econômico e depositam a felicidade unicamente no bem-estar material. O risco dos trabalhadores, em todas as épocas, é de se esquecerem de Deus, deixando-se absorver completamente pelas ocupações mundanas, na convicção de que nelas encontra-se a satisfação de todos os seus desejos. Infelizmente, a necessidade de sustentar a família, muitas vezes não proporciona aos cônjuges a possibilidade de escolher com sabedoria e harmonia.
 
Também a reflexão sobre a festa, no contexto das questões familiares, é muito significativa. Festa significa encontro de pessoas, gratuidade, partilha, alegria, vida. A festa tem um significado antropológico importante e aponta, em última análise, para a razão da existência da família e da própria vida humana. Podemos afirmar, com certeza, que a motivação para constituir família não é o cultivo da tristeza, da dor, de pesadelos e frustrações, mas o contrário de tudo isso: a alegria, a felicidade, a festa.
 
Na concretização dessas aspirações é que as famílias encontram a fonte de novas energias e esperanças para a vida. Não deixa de ser significativo o fato de que, no cristianismo, a felicidade e a vida bem-aventurada são descritas com as imagens e a linguagem das bodas, do convívio familiar, do banquete de irmãos, da festa.
 
O ser humano moderno perdeu o sentido verdadeiro da festa. É necessário recuperar o sentido da festa, e de modo particular do domingo, como um “tempo para ser humano”. Aliás, um tempo para a família, para a comunidade cristã. Não somos máquinas para produzir e ganhar dinheiro; somos gente que precisa ser gente, ser humano em relações com os outros e com Deus.
 
Mais do que nunca, hoje, as famílias necessitam descobrir a festa como lugar do encontro com Deus e da aproximação entre os membros da família, criando um ambiente de pessoas que se querem bem. A mesa dominical deve ser diferente dos outros dias, não só pela comida, e sim pelo encontro familiar.
 
No domingo, a família encontra o sentido e a razão da semana que se inicia. Hoje, mais do que nunca, as famílias necessitam resgatar o justo valor do trabalho, sem se esquecer da festa dominical com o Senhor e com os irmãos. “Nada adianta ganhar o mundo inteiro se vier perder a sua alma” (Mc 8,36).
Que Deus abençoe as nossas famílias!
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