*Beatriz Juncklaus
PORTO ALEGRE
O mês de Setembro é marcado pela Campanha Mundial de Prevenção contra o Suicídio. A iniciativa é relativamente nova – teve início em 2014 -, mas desde então vem crescendo cada vez mais. Além do maior número de adeptos, a imprensa também vem dando mais destaque para a causa e para o problema, considerado um caso de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo dados da instituição no mundo, uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos.
Então, se é tão importante falar sobre o assunto, porque é tão difícil ouvir, ver e ler matérias relacionadas ao suicídio nas mídias tradicionais? Durante um seminário realizado em Porto Alegre na última quinta-feira (31), sobre “Mídia e Suicídio”, o presidente nacional do Centro de Valorização à Vida (CVV), Robert Gellert Paris Junior, disse que o principal receio da imprensa em falar sobre o assunto é devido a um estudo realizado na década de 1980, chamado de Efeito Werther. De acordo com esta pesquisa, pessoas vulneráveis poderiam imitar o suicídio divulgado e assim tirar a própria vida. Segundo Robert, que não concorda com este ponto de vista, “falar sobre o assunto salva vidas. Trazer soluções, ir atrás do problema, salva as pessoas”.
Apesar de não haver uma proibição sobre o assunto, a maioria dos meios de comunicação prefere não falar sobre suicídio em suas publicações. Segundo o editor-chefe do Diário Gaúcho, Carlos Etchichury, “quando a gente opta por não publicar nada sobre o assunto, não estamos cumprindo uma das premissas do jornalismo, que é pressionar e cobrar os governos”. Porém, de acordo com ele, é preciso tomar cuidado ao falar, e que “entre entrar mal no assunto e não entrar é preferível não entrar”.
Em Tubarão, algumas atividades serão realizadas durante o mês de Setembro. No próximo sábado ocorre a 2ª Caminhada pela Vida. O evento inicia às 9h30, saindo do chafariz do Farol Shopping, chegando ao Museu Willy Zumblick, onde algumas atividades serão oferecidas para os participantes e à população.
COMO FALAR?
Durante o seminário realizado em Porto Alegre sobre “A abordagem responsável do suicídio na mídia”, o consenso entre os participantes era que a mídia trazia visibilidade e ajudava as pessoas. Porém, também era necessário observar a forma como abordar o assunto. A principal recomendação dos especialistas, assim como da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da OMS, é que não se deve dar muito destaque para a forma como o suicídio foi efetuado, como métodos e locais, por exemplo. Além disso, é importante orientar nas reportagens como as pessoas podem procurar ajuda caso estejam passando por alguma dificuldade.
A AJUDA
Segundo a OMS, cerca de 90% dos casos podem ser prevenidos da informação e da oferta de ajuda. A depressão é um dos grandes fatores que levam uma pessoa a se matar. Por isso é essencial que, ao se noticiar sobre suicídio, os meios de comunicação indiquem formas de ajuda. Além de psiquiatras e psicólogos, o CVV é um grande aliado à prevenção. Pelo telefone 144 ou 188, os voluntários auxiliam, de forma sigilosa, as pessoas que procuram por ajuda. Na região, em Braço há uma grande corrente de voluntários, que estão à disposição do público local 24 horas por dia. O movimento cresce na Amurel e outras cidades também se organizam para montar postos de assistência.
*Especial para o Notisul
