
Carolina Carradore
Tubarão
O ano de 2009 não foi dos melhores para os produtores de suínos do estado. Além da crise mundial, que inibiu as exportações, o setor amarga os prejuízos causados pela nova gripe A (H1N1), chamada inicialmente de “gripe suína”, e que erroneamente fez a população associar a transmissão da doença ao consumo da carne de porco.
O nome da gripe ficou na mídia e, com o aumento dos casos no inverno, o consumidor diminuiu o consumo. A queda ficou entre 15% e 20 %, em Santa Catarina, segundo informa o presidente regional sul da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Adir Engel. Em 2008, o consumo interno de carne suína registrou aumento de 100 mil toneladas e ingestão per capita de 13,44 quilos por ano.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) interveio, afirmando que o consumo da carne não era responsável pela transmissão da gripe, mas o medo tomou conta do consumidor que resolveu optar por outros tipos de carnes.
A queda do consumo afetou também as vendas do produtor. Durante todo o ano, o quilo do animal oscilou entre R$, 2,10 e R$ 1,50. Há dois meses, veio o alívio e o preço de R$1,60 chegou a R$ 2,30. “Também tivemos um aumento nas vendas devido às festas de fim do ano, mas sei que, em janeiro, a queda será inevitável”, calcula Adir.
E os problemas no setor não se limitam a isso. A crise mundial diminuiu as exportações, que caíram 49,7% no último bimestre do ano passado e os preços da arroba despencaram de R$ 70,50 em setembro para os atuais R$ 39,80. “Não chegamos a estocar, mas encerramos o ano no vermelho e esperamos que em 2010 ocorra a abertura de novos mercados para exportação”, analisa Adir.
Produto saudável
• A proteína suína atende com tranquilidade todas as exigências científicas, que estabelece uma ingestão máxima de 300 miligramas por dia de colesterol. A ingestão de 100 gramas de lombo suíno, por exemplo, apresenta apenas 72,8 mg de colesterol, menos de 25% do total permitido.
• Outra curiosidade é o fato de a carne suína ser indicada para os hipertensos. Isso porque, quando comparada às outras carnes, apresenta um menor nível de sódio, mineral responsável por acentuar a hipertensão. Enquanto o lombo suíno possui 58 mg de sódio em cada 100 gramas, o filé mignon e o peito de frango sem pele possuem, respectivamente, 61 mg e 74 mg.
Produtores desanimados
Santa Catarina reúne 12 mil produtores. O Vale de Braço do Norte concentra 45% dos produtores independentes e é responsável por 18% da produção do estado. Os produtores da região reclamam da situação, considerada a pior de todos os tempos. O reflexo disso é a diminuição no consumo, no preço e na produção dos suinocultores independentes, além do rótulo de “gripe suína” à influenza A (H1N1).
Valério Phelippe, produtor de Braço do Norte, busca alternativas para sair do vermelho. Ele chegou a vender a R$ 1,50 o quilo e atualmente consegue comercializar a carne a R$ 2,30 com frigoríficos das regiões sul e norte do estado. A situação só não foi pior porque conseguiu tapar o prejuízo causado no plantel de 50 matrizes, com a criação de 35 vacas. “O gado foi bem e me auxiliou um pouco, mas o ano foi muito difícil”, reclama. Ele também sofreu com a falta de exportação e espera que a situação melhore.
Já o produtor Inivaldo Frener Ricken, resolveu aumentar a produção e fechou o ano com 1,3 mil matrizes. Uma atitude arriscada, mas que deu certo para o suinocultor que exportou o produto por meio da Perdigão.
Porém, ele sofreu com a redução na margem de lucro. Em 2009, ganhou com cada cabeça de R$ 8,00 a R$ 10,00. Nos anos anteriores, o lucro não baixava de R$ 30,00. “Hoje, quem quer permanecer na atividade tem que ter produtividade”, ressalta.
Carne livre de vírus
Apesar da chegada do verão e da queda considerável de casos de gripe, a Cidasc continua realizando análise semanal da carne suína. Até agora, segundo o diretor da sanidade animal da Cidasc em Tubarão, Iraê Antônio Pizollati, não há nenhuma notificação de gripe H1N1 em animais.
Ele explica que o organismo do novo vírus possui apenas 20% de proteína suína. Ou seja, a maior parte é formada por proteínas humanas e de aves. “As pessoas têm que ter consciência que a carne suína, além de ser rica em diversas vitaminas e minerais, possui pouca caloria e apresenta menos colesterol do que as carnes de frango e bovina”, afirma.