Carolina Carradore
Tubarão
Quem frequenta a rodoviária de Tubarão à noite tem se deparado com cenas desagradáveis. Alguns travestis que ocupam a rua Padre Geraldo Spettmann constrangem a população com as roupas curtas que usam e gestos obscenos. Muitos chegam a utilizar o banheiro feminino da rodoviária e trocam de roupa na frente de passageiras.
Um morador das proximidades foi surpreendido ao estacionar o veículo na rodoviária à noite, acompanhado da esposa. Três travestis estavam na porta no terminal semi-nus. “Um deles mostrava toda a calcinha. Dentro da lanchonete, havia mais três com roupas ainda mais indecentes. Ficamos constrangidos de ver essa cena”, reclama. O mesmo morador já flagrou transexuais com seios à mostra ou somente de calcinhas, à espera de clientes. “Não somos obrigados a ver o que não queremos. Não sou contra eles trabalharem, mas nosso limite termina quando o outro começa, merecemos respeito”, exige.
Uma senhora aposentada ‘vizinha’ chega a desviar o caminho de casa quando precisa passar pela rua à noite. Por várias vezes, presenciou cenas constrangedoras. “Vejo gritaria quando os carros passam, muitos chegam a mostrar os órgãos genitais e até a fazer ameaças. Tenho muito medo até quando estou em casa”, conta.
“Canso de chamar a polícia”
A gerente do terminal rodoviário, Dilcéia Leopoldo Monteiro, procura uma solução para o caso dos travestis que trabalham à noite nas imediações há muito tempo. Já chegou a enviar 25 ofícios à Polícia Militar pedindo maior policiamento. Perdeu a conta de quantas vezes esteve na secretaria de segurança e trânsito da prefeitura em busca de apoio. Até agora, nada de concreto.
“O que o secretário de trânsito informou é que a Guarda Municipal irá atuar no local, mas só quando for armada. A PM diz que não tem policial suficiente para ficar por ali. Não sei mais o que fazer”, lamenta Dilcéia, indignada.
O comportamento inadequado de alguns travestis inibe as pessoas que precisam comprar passagem e quem desce dos ônibus. “Tem dias que tem mais de dez travestis. Se eles tivessem uma boa conduta, não teria problema. O que incomoda são as atitudes e as roupas indecentes que escandalizam qualquer um”, reclama.
PM pede apoio da prefeitura
O comandante da 2ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar, major Giovani Livramento, afirma que rondas são feitas constantemente nas proximidades da rodoviária e que a PM age quando há situação que caracteriza crime. Ele entende que, como se trata de um local do município, a prefeitura deveria auxiliar na segurança com a presença de guarda municipal. “Precisamos da colaboração da população para avisar quando há ato obsceno ou algo para que possa ser feito um termo circunstanciado”, orienta.
O secretário de segurança e trânsito da prefeitura, Toni Bittencourt, afirma que uma segunda reunião será realizada com os travestis para tentar amenizar o problema. “Já tivemos uma conversa com eles, mas é complicado a situação”, relata. Ele descartou, por enquanto, colocar guardas municipais nas imediações. Isso só ocorrerá quando a Guarda Municipal passar a andar armada.
