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O Trem que Sempre Morou em Mim 

Houve um tempo em que o aniversário de Tubarão era apenas uma data feliz para mim. Hoje, porém, não é mais assim. 

Hoje, ele carrega um sentimento muito maior — daqueles que apertam o peito e aquecem a alma. E não foi algo planejado. Aconteceu devagar, pelas mãos de quem ensina, acolhe e transforma.  

Devo esse novo significado aos diretores, coordenadores pedagógicos, professores, alunos e suas famílias, que abraçaram com tanto carinho o meu livro Sua Majestade: Donna Locomotiva. 

Desde 2022, o número de CEIs e escolas que passaram a trabalhar a obra cresce de maneira emocionante. O livro, que conta a história da chegada da Ferrovia Tereza Cristina ao Sul de Santa Catarina e da criação do nosso Museu Ferroviário, deixou de viver apenas nas páginas. Neste ano, ele ganhou ainda mais voz, cor, música e afeto em 12 unidades da rede municipal e estadual de ensino. 

As releituras feitas pelas crianças transformaram-se em verdadeiras obras de arte — daquelas capazes de tocar profundamente quem as contempla.

Hoje, celebro o aniversário da nossa cidade contando histórias e participando de apresentações onde o conhecimento e o afeto caminham lado a lado. Em cada escola visitada, vejo professores emocionados, famílias orgulhosas, crianças encantadas. E, naquele espaço de saberes, as palavras encontram morada nos abraços, nos desenhos, nos olhos marejados e nos sorrisos sinceros que fazem meu coração bater acelerado e apaixonado. 

Entre tantas perguntas que escuto nesses encontros, existe uma que sempre se repete:

Você sempre gostou de trem?  E então eu sorrio.

Sendo filha, neta, sobrinha e nora de ferroviários, talvez não pudesse ser diferente. Mas, antes mesmo da resposta sair da boca, minhas lembranças já correram para longe. Volto a ser aquela menina franzina que brincava na rua enquanto escutava, ao longe, o apito da maria-fumaça ecoando pela cidade. Vejo novamente a correria dos amigos até perto dos trilhos, numa época em que a Avenida Pedro Zapelini ainda parava diante da passagem do trem. Para nós, era um espetáculo. Ficávamos pendurados na tela, esperando o trem de ferro passar, encantados com cada apito e cada aceno do maquinista. Essas memórias vivem em mim com a mesma força de antigamente. 

E é por isso que, diante daqueles olhinhos atentos esperando uma resposta, eu digo: _ Sim. Sempre fui apaixonada pelo trem.

Mas hoje compreendo algo ainda maior: talvez esse livro já estivesse escrito dentro de mim há muito tempo. O movimento #estetreménosso foi apenas o estopim de uma história que já pulsava no meu coração. 

Entre os prêmios recebidos, os reconhecimentos e o número crescente de alunos alcançados, este aniversário de Tubarão me trouxe um presente diferente. Ver tantas turminhas da educação infantil mergulhadas na história da nossa ferrovia e do nosso Museu Ferroviário me faz sentir orgulho — não apenas como escritora, mas como alguém que carrega essa memória afetiva nos trilhos da própria vida. 

Ser, até este momento, a primeira escritora a publicar um livro infantil ilustrado sobre esse tema é uma responsabilidade imensa, mas também uma honra difícil de explicar. Porque mais do que compartilhar fatos históricos, sinto que compartilho amor, pertencimento e orgulho pela nossa história. 

E talvez seja isso que realmente emocione as crianças:
perceber que existem histórias que não vivem apenas nos livros —
vivem nas pessoas, nos afetos e na memória de uma cidade inteira. 

 

Nos vemos nas próximas linhas! 

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