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Governo Trump investiga Brasil por causa do PIX e comércio da 25 de Março

Foto: EPA/Shutterstock - Divulgação: Notisul

O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante de Comércio (USTR), abriu uma investigação comercial contra o Brasil alegando possíveis práticas desleais nos setores de pagamento eletrônico — incluindo o sistema PIX — e na proteção da propriedade intelectual, com destaque para a região da Rua 25 de Março, em São Paulo.

O processo foi iniciado por solicitação direta do presidente americano, Donald Trump, que também anunciou recentemente uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA.

PIX no centro da disputa

Embora o nome PIX não seja citado explicitamente no documento do USTR, a investigação menciona “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, o que aponta diretamente para o sistema de transferências instantâneas criado e mantido pelo Banco Central do Brasil.

“O Brasil parece favorecer seus próprios serviços de pagamento eletrônico, prejudicando a competitividade de empresas americanas que atuam no setor”, diz o documento oficial.

A gratuidade do PIX é um dos pontos que teria incomodado empresas como Visa, Mastercard e PayPal, já que retira parcela significativa da receita dos sistemas privados de pagamento.

Ralf Germer, CEO da fintech PagBrasil, afirmou que o PIX representa, sim, uma ameaça ao modelo atual dos cartões de crédito, e que novas funcionalidades — como o PIX Automático e o futuro PIX Parcelado — podem ampliar esse impacto.

25 de Março também na mira

Outro alvo da investigação é o tradicional centro de comércio popular da Rua 25 de Março, considerado pelo USTR como um dos maiores polos de venda de produtos falsificados da América Latina.

Foto: Reprodução das mídias – Divulgação: Notisul

“O Brasil não conseguiu combater de forma eficaz a venda e distribuição de itens piratas e dispositivos de streaming ilícitos”, diz o relatório.

A Univinco25, associação que representa os lojistas da região, contestou a afirmação, alegando que a maioria dos comerciantes atua legalmente e que “ações de fiscalização são rotineiras”.

Outros pontos da investigação

O documento norte-americano levanta ainda questionamentos sobre:

  • Tarifas preferenciais a parceiros estratégicos do Brasil;

  • Desmatamento ilegal e impacto nas exportações de madeira e produtos agrícolas;

  • Fraquezas em medidas anticorrupção e falhas em padrões de transparência internacional;

  • Recusa do Brasil em garantir espaço de mercado justo para empresas americanas em setores como mídia social e serviços digitais.

O que diz o Brasil

O governo brasileiro já respondeu com uma nova carta diplomática enviada nesta semana aos EUA, afirmando estar “aberto ao diálogo” e reafirmando o interesse em uma relação bilateral baseada no equilíbrio e no respeito mútuo.

Até o momento, o Banco Central e a Febraban não se manifestaram oficialmente sobre o trecho da investigação relacionado ao PIX.

Recordes do PIX

Apesar das críticas, o sistema de pagamentos instantâneos bateu recorde de uso em 2024, movimentando mais de R$ 26,4 trilhões em transações — um crescimento de 54,6% em relação a 2023.

A ferramenta é hoje utilizada por praticamente toda a população adulta brasileira, incluindo microempreendedores, moradores de regiões remotas e vendedores informais, sendo considerada uma revolução na inclusão financeira do país.

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