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UE inicia embargo a carnes e produtos de origem animal do Brasil

O embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil começa nesta quinta-feira (3). A medida impede temporariamente a entrada no bloco de carnes bovina, suína e de frango, além de pescados, mel e ovos.

A decisão pode ser revista após negociações entre o Brasil e a União Europeia. Nesta semana, técnicos europeus realizam uma auditoria nas cadeias brasileiras de produção de frango e mel. A inspeção deve terminar nesta sexta-feira (4), mas a análise do resultado pode levar cerca de dois meses.

Por que a União Europeia suspendeu as importações

A União Europeia anunciou o embargo em maio, após retirar o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Essas substâncias podem ser utilizadas no tratamento de infecções em animais. Porém, a legislação europeia proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento.

O bloco também não permite que medicamentos antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos sejam utilizados em animais.

Segundo as informações divulgadas sobre a decisão, o embargo não foi provocado pela identificação de irregularidades diretamente na carne brasileira.

A avaliação da União Europeia é de que os mecanismos brasileiros de controle sobre o uso dessas substâncias não seriam suficientes para atender aos padrões exigidos pelo bloco.

Auditoria pode definir próximos passos

A auditoria realizada nesta semana concentra-se nas cadeias de produção de frango e mel.

A inspeção deve ser concluída até sexta-feira. Depois disso, o material será analisado pelas autoridades europeias.

O resultado da avaliação pode influenciar as negociações para uma eventual reversão do embargo.

No caso do frango, o setor brasileiro espera uma solução mais rápida porque o ciclo de produção é curto. Um frango destinado ao abate leva aproximadamente 45 dias desde o nascimento.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que o setor mantém procedimentos específicos para atender às exigências europeias.

Segundo ele, as empresas brasileiras já realizavam controles sobre o uso de antimicrobianos e separavam a produção destinada ao mercado europeu.

Carne bovina pode levar até dois anos para retornar

A situação da carne bovina é diferente.

Mesmo que a União Europeia reverta o embargo, o Brasil ainda poderá levar pelo menos dois anos para retomar as exportações dentro das novas exigências.

Isso ocorre porque os novos protocolos precisam acompanhar o animal durante seu ciclo de produção.

O período entre o início do cumprimento das regras e o abate pode chegar a 24 a 36 meses.

Em junho, o Brasil anunciou um novo protocolo de controle sobre o uso de antimicrobianos. O sistema prevê o rastreamento do animal desde o nascimento até o abate.

A medida busca comprovar que as substâncias proibidas pelas regras europeias não foram utilizadas durante a criação.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a União Europeia já haviam aderido ao protocolo.

Governo tentou negociar período de transição

O governo brasileiro vem negociando com a União Europeia desde o anúncio do embargo.

Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proibiu o uso de alguns antimicrobianos, entre eles avoparcina, virginiamicina e bacitracina.

No mês seguinte, o Brasil propôs um período de transição para adequação às exigências europeias. A proposta, porém, foi recusada pelo bloco.

Em junho, o governo anunciou o novo protocolo de controle e rastreabilidade para a pecuária.

A expectativa brasileira é utilizar essas medidas para demonstrar que a cadeia produtiva pode atender aos padrões exigidos pela União Europeia.

Setor avalia impacto das restrições

A carne bovina e o frango estão entre os produtos de origem animal mais afetados pela decisão, devido à importância desses itens nas exportações brasileiras para a União Europeia.

Apesar disso, a participação do mercado europeu no valor total das exportações brasileiras é limitada.

Para a Abiec, porém, a União Europeia continua sendo um mercado estratégico para a carne bovina brasileira.

A entidade destaca que os europeus compram cortes de maior valor agregado. Por isso, uma eventual perda desse mercado não seria compensada automaticamente pelo redirecionamento das vendas para outros países.

A associação informou que trabalha com o governo brasileiro para tentar restabelecer o fluxo comercial com o bloco no menor prazo possível.

No setor de frango, a avaliação é que parte da produção poderia ser redirecionada ao mercado interno ou a outros países caso o embargo permaneça.

O Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países.

Mel também é afetado pelo embargo

O mel brasileiro também entrou na lista de produtos atingidos pela suspensão.

As vendas do produto para a União Europeia vinham crescendo neste ano, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo.

A expansão ocorreu, entre outros fatores, devido às dificuldades provocadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Com os custos maiores para vender ao mercado norte-americano, parte dos exportadores direcionou produtos para a Europa.

Segundo Azevedo, as exportações brasileiras de mel para o bloco europeu dobraram no primeiro semestre e chegaram a US$ 6,3 milhões.

O setor afirma que um dos pontos de atenção é a possibilidade de contaminação cruzada. Um exemplo seria a proximidade entre colmeias e áreas de criação de gado onde determinadas substâncias são utilizadas.

Por isso, o controle da cadeia produtiva é considerado importante para garantir que resíduos não cheguem ao mel destinado à exportação.

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