Início Opinião Valorização do professor … E a luta continua…

Valorização do professor … E a luta continua…

Uma sociedade não existe sem professores! Isso não é mera retórica, mas decorre da preocupação com a situação social em que o professor se encontra. Entendemos que se faz necessário colocar na pauta social a questão da valorização docente. Em 2014, iniciamos uma campanha ligada à área de humanidades, ciências e educação da Unesc, fazendo uso de chamadas em diversas plataformas por meio de inúmeras ações, a exemplo da socialização de camisetas como “Professor: Orgulho de Ser” e “Professor: Eu Gosto e Respeito”, em uma espécie de convocação à sociedade para vestir essa camisa. Além disso, deflagramos a campanha em nossos estágios, em evento com egressos e com os professores do Programa de Iniciação à Docência (Pibid), fora a manifestação corrente de nossos coordenadores, professores e alunos que vestiram a camisa no sentido de revitalizar valores tão importantes que nos foram tirados ao longo desses anos, daí “vestir a camisa” da educação.

Ocorre que de lá para cá, mais uma vez, o poder público está passivo diante das reivindicações da categoria e cruza os braços para a sociedade, como se não fosse de sua alçada a direção para o diálogo. Nega-se a repensar os processos, bem como a busca de ações mais orgânicas que deem primazia à educação. Em face disso, a discrepância está instalada: de um lado, a campanha que clama pela valorização daquele que é o responsável pela formação humana, cultural, social e intelectual de ontem, hoje e amanhã; que encaminha quadros de excelência para as mais diversas profissões: o professor; de outro, a indiferença daqueles que, em princípio, foram legitimados pelo voto de uma comunidade que, certamente, não valida essa indiferença. Vale aqui retomar um excerto do texto orientador da Política Nacional de Formação de Professores para a Educação Básica Brasileira (2014): “É urgente produzir entrelaçamentos entre a vida intelectual, os processos de conhecimento e os atos de educação e ensino no Brasil, quer para associar o melhor do pensamento brasileiro ao chão diverso e desigual da educação e da escola, especialmente da escola dos meninos e meninas do povo, como fez sentir Paulo Freire”… Mas a luta continua…

O texto traz concepções, fundamentos e proposições preliminares para o diálogo nacional com os sistemas, as instituições e as entidades da área. Coloca desafios a serem enfrentados pelo poder público e pela sociedade brasileira em geral, no sentido de garantia do direito à educação básica. Mas, mais do que isso, o poder público precisa enfrentar e internalizar a centralidade da educação como gatilho para a transformação social. É preciso que se compreenda que o aumento das áreas de intensa vulnerabilidade social está diretamente associado à inoperância de investimento na educação, do reconhecimento da falta de condições objetivas de trabalho que o setor enfrenta. Também o Documento Base da Conferência Nacional de Educação (Conae) de 2014 avança ao conceituar a valorização dos profissionais da educação como “resultante da efetiva articulação entre formação inicial e continuada, carreira, salários e condições de trabalho”… Mas, à parte de tudo isso, a luta continua.

Não há soluções fáceis para os problemas da educação e da formação, afirma a educadora Helena de Freitas (2007), que, na defesa da valorização dos trabalhadores da educação, problematiza as condições de trabalho, salários e carreira, afirmando não haver política para seu enfrentamento e superação, em especial, listando as metas do Plano Nacional de Educação (PNE): implementação gradativa da escola integral; diminuição do número de crianças por sala de aula no ensino fundamental; cumprimento da relação ‘adulto x criança’ nos espaços de educação infantil; implementação do piso salarial nacional; implantação gradativa da jornada única, com a concentração do professor em apenas uma escola; entre outras. A Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação (Anfope), acerca das diretrizes para a carreira, defende uma política de “valorização do magistério como profissão, com o sentido de projeto de vida e futuro, enquanto percurso da existência, uma carreira que deve necessariamente estruturar-se tendo como parâmetro orientador o compromisso social dos educadores com as necessidades educativas de nosso povo e com a qualidade histórica da escola”… Mas, infelizmente, a luta continua.

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