Movimento nos Molhes da Barra durante temporada melhora volume de vendas
Willian Reis
Laguna

Nesta época do ano, os Molhes da Barra, em Laguna, se transformam em um dos pontos turísticos mais visitados na cidade. Do lado da praia, surfistas disputam as melhores ondas, enquanto, no sentido oposto, na Lagoa Santo Antônio dos Anjos, pescadores aguardam os primeiros sinais dos botos para lançar suas redes na água. Enquanto alguns se divertem, outros aproveitam o movimento para ganhar dinheiro.
Natural de Torres (RS), João Antônio Lemos, 21 anos, estava desempregado há um ano e meio desde que foi dispensado do supermercado onde trabalhava como repositor, quando decidiu se mudar sozinho para Laguna. De olho nas oportunidades da temporada de verão, o gaúcho está há um mês na cidade. Vende água, refrigerante e cerveja nos Molhes, de segunda a segunda, a partir das 9 horas. Conforme o movimento, trabalha até as 22 horas.
Fica na função de vendedor até o fim do Carnaval. Depois, diz que sairá em busca de outra ocupação, possivelmente também em Laguna. Por enquanto, todos os dias continua circulando pelos Molhes, que considera o melhor lugar para as vendas. “Aqui tem mais turista. Muitos argentinos. Agora há pouco acabei de atender um gringo”, contou.
Lemos tem direito a 25% de tudo o que vende no dia, o que lhe rende cerca de R$ 50,00. “Tá valendo a pena”, afirmou o rapaz, entre um cliente e outro na manhã ensolarada deste sábado.
“A regra é atender bem e manter o preço”
Assim como lemos, Lindomar Bernarecke, 65, também está dia após dia nos Molhes, e atende sua clientela conquistada em 34 anos de trabalho na praia do Mar Grosso. Bernarecke acha que desta vez o volume de vendas está menor do que em anos anteriores.
Culpa a crise econômica e o preço praticado pela concorrência. “Tem bastante gente, mas o pessoal tá trazendo bebida de casa”, observou. Há oito anos, decidiu trocar a correria da areia da praia para se fixar nos Molhes, onde fica o ano inteiro, com exceção, é claro, dos dias de chuva. Não tem base do quanto lucra por dia, mas reconhece que no verão as vendas sempre crescem, impulsionadas pelo fluxo maior de turistas.
“No inverno, tem dias que não vendo nada. Às vezes, os pescadores dão uma tarrafada e já rola cerveja. Não dá para contar com o dinheiro. É uma aventura”, explicou Bernarecke. Experiente, o vendedor ensina que não há muito segredo para atrair os clientes: a regra é atender bem e manter o preço. “A inflação nos produtos que vendo é pequena. Às vezes, aumenta dez centavos. Então por que vou repassar isso para os clientes?”, destacou.
Nascido em Osório (RS), Bernarecke está há mais de 30 anos em Laguna. Não pensa em voltar a viver na terra natal. Mas de um curso de marketing em Porto Alegre, guarda até hoje uma lição, que aplica em seu trabalho diário: tem de saber o que o cliente quer.
Pescados são vendidos fresquinhos
Por volta das 6 horas, o pescador Ademir dos Santos, 61 anos, já está a postos na Lagoa Santo Antônio, à espera do boto. Nem todo dia a pesca é boa, mas, quando rende, monta sua banca à beira da água e ali vende seus pescados.
Neste sábado, por exemplo, a oferta era de virote: três porções de peixe à disposição dos fregueses, com preços variando de R$ 20 a R$ 35,00. O trabalho de Santos termina no fim do dia. Mas é no inverno, com a pesca da tainha, um dos peixes mais procurados na região, que as vendas melhoram. Há 15 anos retornou para Laguna, de onde havia saído aos 18 para trabalhar em barcos de pesca na cidade de Itajaí.
Motivo de reportagens, documentários e quantidade infinita de fotos, a pesca com auxílio de botos é um atrativo a mais, algo observado em poucos lugares do mundo. Perguntado sobre como reconhece a hora certa de jogar a rede, o pescador ensina: “Quando tem peixe, o jeito com que o boto mergulha é diferente. Ele dá um pulo mais alto”. Mas se queixa de quando algum parceiro de pesca aparece morto: “São botos bons. Fico triste!”.