FOTOS Rodrigo Rocha Foto Argus Divulgação Notisul
Em 1970, em São Joaquim, um episódio curioso deu origem a uma das iguarias mais conhecidas da Serra Catarinense. Viterbo Souza Oliveira, empresário e tradicionalista, preparou cerca de 100 quilos de carne para uma festa, mas sobrou aproximadamente 20 quilos. A carne temperada ficou guardada por quatro dias em ambiente fechado e, ao ser assada e servida em sua churrascaria, chamou a atenção de um cliente paulista. Ao ouvir o processo, o visitante sugeriu o nome que ficaria marcado na história: Frescal.
A diferença do frescal para outras carnes
O frescal é uma carne desidratada ao natural, com preparo simples e artesanal. Diferente do charque, típico do Rio Grande do Sul, ou da carne-de-sol, típica do Nordeste do país, o frescal não passa pelo sol. O processo consiste em temperar a carne em uma gamela ou recipiente plástico e virá-la por três dias, até ficar pronta para consumo. Essa característica o tornou único e reconhecido como uma tradição serrana.
Viterbo, o homem por trás do sabor
Natural da localidade de Monte Alegre, em São Joaquim, Viterbo nasceu em 18 de junho de 1931. Casou-se com Teresinha Lemos Amorim e construiu uma família com quatro filhos, dez netos e oito bisnetos. Sua trajetória no comércio começou em 1965, quando abriu o Bar Real. Pouco depois, em 1967, fundou uma churrascaria e, em 1972, inaugurou a Cantina do Viterbo, que mais tarde se tornaria a Churrascaria Minuano.
Em 1982 expandiu seus negócios para o turismo, construindo chalés e, em 1992, inaugurou o Hotel Minuano. Além do empreendedorismo, Viterbo foi ativo nas tradições gaúchas como sócio-fundador do CTG Minuano Catarinense e do Piquete de Laçadores Mal Arriado.
Legado de tradição e honestidade
Por 15 anos, Viterbo preparou carreteiros para o CTG Mangueira Velha, no Rodeio de Santa Izabel, servindo mais de 1.500 pessoas por edição. Também cozinhou para congressos e eventos em Chapecó, chegando a atender mais de 300 participantes.
Faleceu em 25 de agosto de 2022, mas deixou um legado que ultrapassa a gastronomia. Sua história se mistura ao desenvolvimento do turismo, à preservação da cultura regional e ao exemplo de honestidade, que marcou a vida comunitária de São Joaquim e da Serra Catarinense.