
Angelica Brunatto
Tubarão
A enfermeira Samira da Silva Jeremias trabalha dia e noite com um único propósito: salvar vidas. Mas o serviço dela tem um diferencial. Samira atua no auxílio a pessoas que necessitam de um órgão para sobreviver.
Ela é membro do Centro de Comissão Intra-Hospitalar do Hospital de Doações de Órgão e Tecidos para Transplante (Cihdott) do Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão.
Ela tem a missão de propor aos familiares que perderam um ente querido, a doar os órgãos. “Muitos ainda têm preconceito. Acham que a pessoa será mutilada. Nos últimos anos, a conscientização aumentou e o número de transplantes também”, revela Samira.
Somente é procurada a família de um potencial doador, quando o paciente apresenta morte encefálica. Para isso, uma equipe acompanha o quadro de saúde da pessoa. Todos os testes são realizados para dar segurança aos parentes em decidirem, ou não, pela doação
A equipe do Cihdott também faz um trabalho junto das famílias. “Temos uma equipe de psicólogos que dão toda a assistência. A maior dificuldade dos parentes é absorver o tipo de morte. Muitos associam a vida ao batimento cardíaco, mas quando o cérebro para, é questão de tempo para os outros órgão também pararem”, detalha a enfermeira.
Apesar desta barreira, afirma Samira, a quantidade de pessoas que declaram em vida serem doadoras e o número de familiares que aceitam esta opção e autorizam o transplante é crescente. “O mais importante é avisar a família e pedir que esta vontade seja atendida. Uma única pessoa pode salvar até oito vidas”, estimula Samira.
Tempo que cada órgão pode esperar
• Coração – 4 horas
• Fígado – 6 horas
• Rins – até 12 horas
• Pâncreas – até 12 horas
A prioridade é Santa Catarina
O Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, não é autorizado a realizar captações múltiplas de órgãos. Para efetuar este procedimento, uma equipe da SC Transplantes é acionada.
A prioridade, para recebimento dos órgãos, são para catarinenses. Caso não haja ninguém compatível, o órgão é disponibilizado para outros estados.
Por outro lado, o HNSC tem equipe e autorização para efetuar a remoção de córneas. O material é enviado para Florianópolis, onde são distribuídas para as pessoas já cadastradas pela SC Transplantes. Somente no ano passado, mais de 57 captações deste tipo foram realizadas na instituição de Tubarão.