Luiz Carlos Brunel Alves (PMDB) tem 12 eleições nas costas. Prefeito de Capivari de Baixo, ele revela que o PMDB já antecipa as conversas para sair forte em outubro. “Meu nome está lá, mas podem aparecer mais pessoas. Quem? Não faço ideia”, despista. Arredio quando o assunto é política, Brunel não economiza saliva para enaltecer o ‘Meu Capivari’, como gosta de carinhosamente referir-se ao município. O ‘prefeito das obras’, como é chamado em virtude do grande volume de projetos que desenvolve, fala das dificuldades em gerir a prefeitura, seus planos para este e, claro, as obras que estão previstas.
Zahyra Mattar
Tubarão
Notisul – Administrativamente, quais os seus planos para este ano?
Brunel – Fazer um concurso público. Serão 90 vagas para saúde, educação, administrativo, entre outras. É uma etapa delicada, mas precisa ser feita. Lançaremos o edital entre março e abril.
Notisul – Quantos servidores há hoje?
Brunel – Temos 1,050 mil pessoas, entre comissionados, ACTs e efetivos. Este concurso servirá para diminuir significativamente o número de ACTs e comissionados, além de ser benéfico para a administração pública. Muda o prefeito, os secretários. O principal, o trabalhador, segue no comprometimento.
Notisul – Quanto é gasto com folha de pagamento?
Brunel – Cerca de 55% da arrecadação. Estamos dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com o concurso, este percentual deverá diminuir. Para este ano, estimamos uma receita de aproximadamente R$ 3,3 milhões. Deste total, R$ 1,8 milhão vai para a folha.
Notisul – Não é demais?
Brunel – É, mas não é. A prefeitura faz tudo, desde limpeza de rua até a saúde e educação. A eficiência do serviço público deveria ser idêntica à do serviço privado, onde os resultados são muito mais sérios e rápidos. Por isso, acredito que ter pessoal efetivo faz a diferença neste sentido. Além disso, acaba com esta coisa de cabide de emprego.
Notisul – Qual a sua preparação para outubro?
Brunel – Meu nome está à disposição para a reeleição. Podem surgir outros, claro. Ainda é cedo para definições. O partido (PMDB) já conversa com outras siglas para compor, seja comigo como candidato ou não. Vamos ver.
Notisul – E o senhor pode antecipar quais são estas siglas?
Brunel – Não. Na política, quem antecipa se trumbica (risos). Ainda é cedo, aí a gente fala uma coisa hoje e amanhã dá outra.
Notisul – O senhor é, reconhecidamente, o prefeito da obra. Qual o segredo para conseguir fazer tanto e durante todo o mandato?
Brunel – Como já fui prefeito, sei de onde vem verba, quanto vem. Então, fica mais fácil planejar. Mas não tem segredo, é só planejar e tocar para frente. Na saúde e na educação, as duas prioridades, conseguimos investir muito mais do que o previsto em lei. Na saúde, o percentual obrigatório é 15% por ano, empregamos 22%. Na educação, é obrigatório dispensar 25%, investimentos 32%. Mais de R$ 1,3 milhão a mais em cada área.
Notisul – Qual a maior dificuldade em administrar?
Brunel – A falta de recursos. Muitos acreditam que recebemos fortunas do governo federal, mas não é bem assim. A maioria das obras é feita com recursos dos impostos, pagos pelas pessoas. Fica tudo lá em cima. Para nós, vem uma ninharia. Hoje, o que é devolvido para as cidades, onde os problemas estão, é infinitamente menor do que a demanda. Um exemplo é a creche que inauguro em março no bairro Três de Maio. O governo federal mandou R$ 900 mil para a obra, mas tive que dar o terreno aterrado e ainda colocar mais R$ 600 mil para terminar o projeto. Isso sem contar mobília e manutenção. Eles até dão recursos, mas o ônus fica para cidade, que vai ter que manter aquilo sozinha depois. Minha preocupação, no futuro, é que os gestores vão é entregar a chave da prefeitura e dizer adeus. A administração pública é, aos poucos, inviabilizada. Só não reclamo mais porque temos a Tractebel, que graças a Deus não é pública, e dá um bom retorno de ISS. Se um dia voltar a ser pública, já era.
Notisul – Como estão as contas da prefeitura?
Brunel – Está tudo saneado. Temos as contas de 2009 e 2010 aprovadas pelo Tribunal de Contas do estado e pela câmara. Inclusive, tivemos o reconhecimento por ter investido 7% a mais em educação e saúde.
Notisul – Qual sua frustração nestes três anos?
Brunel – Não ter aberto o cemitério. Pareço o Odorico Paraguaçu. Até me chamam assim. Enterramos nossos entes queridos em Laguna, Tubarão, Gravatal. É triste demais. Eu mesmo tive que enterrar minha mãe em jazigo emprestado. Olha que terrível. Para mim, isso é uma desumanidade.
Notisul – O que falta para terminar esta obra? Tem algo irregular?
Brunel – Não. O problema é que houve uma série de contestações de que os imóveis próximos iriam desvalorizar por causa do cemitério. O terreno está correto, as licenças ambientais expedidas. Agora, fazemos a licitação para finalizar as obras de infraestrutura. Quero tudo pronto porque tenho que ir para lá (risos).
Notisul – O pronto atendimento voltará a ser 24 horas?
Brunel – É bem possível. Hoje, atua por 12 horas, inclusive aos fins de semana. Um estudo de demanda é feito. Observamos que atendimento, por noite, não passa de dez casos. De qualquer forma, em março, esta questão está solucionada. Esta é uma das maiores reivindicações hoje. A reclamação é com o deslocamento para Tubarão, pois temos convênio com o Hospital Nossa Senhora da Conceição. Quem sabe deixar uma ambulância de plantão já resolva. Vamos ver como vai ficar. O que posso dizer agora é que haverá uma solução.
Notisul – Qual a prioridade para este ano?
Brunel – Entregar os 12 lotes do condomínio industrial, no centro (atrás da prefeitura), terminar o asfaltamento do loteamento Camila, finalizar o posto de saúde novo da rua Santa Maria, na comunidade de Santa Lúcia. Tem também a reforma de outras três unidades, construídas quando fui prefeito há sete anos. Ponte da Integração e ciclovia do trabalhador. Também tenho interesse em criar espaços públicos para o lazer em cada bairro, com academia como a colocada na Praça da Bandeira. Também seremos parceiros na construção da nova sede do Corpo de Bombeiros (ao lado da rodoviária – a prefeitura dará o terreno) e a implantação das dez câmaras de segurança, cuja parceria é com o estado. Até o fim do ano, saio da prefeitura com tudo zeradinho ao próximo prefeito.
Brunel por Brunel
Deus: Essência da nossa vida.
Família: O que mais amo.
Trabalho: Sobrevivência.
Passado: Serve para verificarmos os nossos erros para não repeti-los.
Presente: Dedicar ao máximo a prática do bem e a construção do meu Capivari.
Futuro: Tempo de colher o que a gente planta.
"A arte do sucesso na administração pública é saber dizer não. Eu sei dizer não e faço até com cara feia. O prefeito que só diz sim está fadado ao sucesso eleitoral, mas também ao fracasso administrativo."
"O gestor não pode preocupar-se com a eleição. Tem que ir lá e fazer o que precisa. Se fosse para pensar na eleição, só sairia asfalto. Precisa de rua boa, mas tem que ter saúde em cada comunidade, escola e creche em cada bairro. Aos poucos, as pessoas mudam de opinião. Mas ainda é inacreditável como asfaltar dá retorno. Se pavimento uma rua, tenho 80% de aprovação, se recupero uma rua, dizem que não faço mais do que a obrigação. Vai entender! Tinha que olhar para o todo."

