segunda-feira, 23 março , 2026

A importância da capacitação além graduação dos novos engenheiros civis

Um dos mais importantes setores da indústria, e que oferece suporte para os demais é o da construção civil. Existem hoje atuantes no país por volta de 90 mil engenheiros civis. Sua formação profissional tem como base as prerrogativas da lei 5194/1966 Congresso Nacional e da resolução do Confea 1073/2016. Suas atribuições profissionais são voltadas a atuarem em planejamento, projeto, execução de obras de construção civil que envolvam geotecnia e estruturas, além de outros segmentos de atuação.

Contundo, uma das principais demandas do mercado é a de terapia das estruturas idosas que o Brasil possui. Com base nos picos de investimento expressivos em infraestrutura e habitação no Brasil, o país possui pelo menos 80% das suas edificações e obras de infraestrutura com mais de 25 anos. Além das varias obras com mais de 50 anos – idade esta de vida útil para edificações construídas após 2013.

Isto quer dizer, que o país necessita de engenheiros com especialidade em lidar com estruturas antigas, especializados em patologia das construções, com conhecimentos avançados em analise de estruturas e materiais de construção com foco em desempenho e durabilidade. Seriam estes engenheiros, segundo comentário do professor Enio Pazini – referência mundial em terapia das estruturas, durante o 61º Congresso Brasileiro do Concreto realizado em Fortaleza-CE os geriatras das obras civis. Sua palestra sobre durabilidade e estabilidade estrutural ocorre dois dias depois da Ruína do Edifício Andrea situado no bairro Dionísio Torres, área nobre da mesma cidade do evento.

A necessidade de intervenção nesta estrutura que possuía mais de 37 anos foi devida incompatibilidade dos materiais utilizados com o ambiente onde a edificação estava inserida frente a vida útil e durabilidade requeridas para uma edificação habitacional, mesmo ela tendo sido construída em época que não havia especificação de prazo mínimo de vida útil. Esta situação desencadeou problemas de corrosão generalizadas nas armaduras em, pelos menos, 135 focos apontados por uma empresa que forneceu um relatório de uma vistoria preliminar para então propor um orçamento para as intervenções necessárias. Cabe aqui um questionamento – esta equipe de profissionais foi remunerada pelo serviço de vistoria realizado para então fornecer o orçamento das intervenções? Reflita da seguinte forma – se você precisa ir ao médico, você agenda com alguns dias, em muitos casos meses, de antecedência, paga adiantado pela consulta para que ele solicite uma série de exames. Com os resultados dos exames em mãos, você retorna ao médico para que ele estabeleça o diagnóstico, se houver a necessidade de alguma terapia, ou intervenção mais invasiva (uma cirurgia, por exemplo) ele encaminhará você para um outro especialista, não mais em diagnóstico, mas agora em terapia e intervenção do mesmo problema. Você por sua vez buscará fazer com um profissional de referência, não com aquele que lhe fornecer o serviço pelo menor valor, certo?

Ou empresa forneceu um orçamento para realizar as intervenções, desta vez sem ter feito um diagnóstico prévio da situação da edificação, de acordo com as informações divulgadas, o orçamento desta segunda empresa teve valor com valor 30% abaixo daquela empresa que fez a avaliação preliminar. Em muitas situações voltamos nossa atenção apenas para o valor monetário, e não à qualidade do serviço quando se trata da construção civil. Assim, a empresa 30% mais “barato” foi a contratada.

No início das atividades de recuperação da degradação das estruturas ocorreu a ruína do edifício, ferindo e levando a óbito alguns usuários da edificação. Analisando as mídias disponíveis e as informações publicadas, as intervenções iniciaram pela retirada do concreto de cobrimento das armaduras dos pilares do pavimento térreo, sem a realização do escoramento do pavimento. Isto foi feito em alguns dos pilares, que já estavam com sua capacidade portante comprometida, levando a edificação a colapso.

Como sempre comenta em suas falas, o professor Paulo Helene – uma das principais referências em patologia das construções no Brasil e no mundo, e que formou outros muitos bons profissionais nesta área – O que aprendemos com os erros da engenharia civil?

Podemos analisar pelo seguinte ponto de vista – se um médico errar, há a probabilidade real de ele levar a óbito uma pessoa por vez… enquanto que se um engenheiro que foi contratado para fazer uma intervenção em “um paciente” com sintomas avançados cometeu um simples equívoco, porém fatal, e, por ser em um horário que poucas pessoas normalmente estão em casa, feriu 7 pessoas, e levou 9 a óbito.

Um médico para chegar a posição de especialista em intervenções invasivas, o que poderíamos relacionar com a uma recuperação estrutural deve passar, durante seu treinamento por 6 anos de graduação em período integral, sendo o último ano em internato auxiliando e acompanhando de perto profissionais mais já plenamente treinados e com capacidade de ensinar outros futuros profissionais. Depois da graduação eles passam por mais, em média, 3 anos de residência para uma área de seu interesse de atuação. Dependendo da área, como cardiologia, por exemplo, eles precisam de 3 anos de preparo na área de clínica geral para então ingressarem em outros 3 na área de interesse. E os engenheiros civil? Passamos por 5 anos de graduação, em algumas universidades, além ser possível fazer isso na modalidade EaD. A pelo menos 10 anos, a maioria dos cursos de graduação em Engenharia Civil não é mais integral, reduzindo a carga horária de mais de 5500 para 3600 horas (mínimo estabelecido pelo MEC, hoje). Feito isso, possui todas as atribuições conferidas pela lei 5194/1966 e pode atuar em todas áreas aqui mencionadas, incluindo uma intervenção para recuperar uma estrutura degradada… Penso que algo deve ser revisto com certa urgência.


Você sabia!

O curso de Engenharia Civil da UNISUL em busca de continuar contribuindo para o aprimoramento dos profissionais da construção civil lançou em 2019 dois novos cursos de Especialização – Patologia das Construção e Tecnologia do Concreto, com grandes nomes da Engenharia Civil nacional no seu corpo docente.


Fique atento!

Até o dia 24 de janeiro 2020 estão abertas as inscrições para o curso de Engenharia Civil da Unisul pelo histórico escolar para 2020-1.

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