Cada vez mais, as nações vão se distinguir entre as que têm e as que não têm conhecimento. O conhecimento, sobretudo científico e tecnológico, é a base do desenvolvimento, do crescimento, da prosperidade. Uma das principais razões pelas quais Santa Catarina vem apresentando os melhores indicadores econômicos e sociais está na liderança na inovação. Enquanto o Brasil patina no nível da recessão técnica, crescendo apenas alguma vírgula acima de zero, empresas tecnológicas de nosso estado apresentam notável expansão, com crescimento que supera, em muitos casos, 15% ao ano!
Geralmente, essas empresas refletem o seu grau de inovação no nosso complexo industrial como um todo, e beneficiam os diversos setores produtivos com novos sistemas e produtos revolucionários. Ao participar de um seminário da Fundação Woodrow Wilson, em Washington, senti o reflexo do setor de pesquisa catarinense, quando fui informado de que a única instituição científica brasileira que faz trabalhos em parceria com o Massaschutes Institute of Tecnology (MIT) é a nossa Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI). Lembro-me bem da visita que fiz à incipiente incubadora de empresas tecnológicas, em Florianópolis, em 1977, tão logo fui conduzido à função de ministro da ciência e tecnologia. Naquela época, era impensável imaginar quantas grandes e conceituadas empresas seriam geradas naquela improvisada galeria de microempreendimentos.
Hoje, a fundação, o Parque Tec Alfa, o Sapiens Parque e outras instituições do gênero projetam a liderança de Santa Catarina na área da inovação. Durante o nosso governo, lançamos uma base da indústria criativa. Essa indústria inovadora representa 30% do setor produtivo mundial. O polo de videogames foi a iniciativa que nos habilitou a fazer audiovisual de qualidade, como o aplaudido “minhocas”, que já é exibido no circuito internacional de entretenimento. Embora pequeno e ainda incipiente no Brasil, o setor de audiovisual já é responsável pela geração de cerca de 130 mil empregos formais diretos, que produziram uma massa de salários de mais de R$ 4,5 bilhões. Responsável por quase 1% do PIB nacional, a área de produção e comercialização dessa área criativa – tudo indica – crescerá significativamente nos próximos anos. E Santa Catarina faz parte na liderança dessa inteligência produtiva!
O crescimento fantástico da internet, da televisão a cabo e da rede social cria um horizonte sem fim para as produções audiovisuais, seja de filmes, documentários, reportagens ou videogames. Dispomos de plataformas capazes de assegurar um protagonismo crescente em todas as áreas do conhecimento avançado, sobretudo nas de biotecnologia, microeletrônica, química fina e novos materiais. O grande número de pedidos de financiamento no BNDES e na Finepe, feitos por empresas e instituições catarinenses, atesta as nossas condições de sustentar o crescimento dos polos de conhecimento avançado. Levamos vantagem sobre outros estados por termos, na constituição do estado, que 2% de toda a receita líquida do governo devam ser aplicados exclusivamente na pesquisa científica e tecnológica (em São Paulo é apenas 1%). E isso tem sido o nosso grande diferencial.

