Recebi um anexo de e-mail, que mexeu com meu humor, onde profetisa o fim de diversos produtos ou serviços que hoje usufruímos e passará apenas para a história diante dos passos gigantes da tecnologia. Começa com a extinção física dos Correios, do Cheque, do Jornal, do Livro…, parei aqui. Agora agrediu minha sensibilidade. Tudo menos o livro! Este jamais poderá desaparecer. Com argumentos de que pode ser baixado nos sites disponíveis de livros inteiros com algum pagamento quase simbólico e até de graça. Ora, mas isto só será possível quando todos tiverem computadores em casa. E isso está longe.
Não há dúvidas que o conforto de leitura (?) e a manipulação virtual ganha de longe do livro tradicional. Também tive que me adaptar a leitura via tela de computador. Mas quando termino, ou paro de ler, ele passa para as catacumbas do HD. Se some. Esta pragmaticidade da eletrônica está tirando a beleza lírica do livro tradicional.
No livro físico, sua capa, textura, tamanho, cheiro, formato, fazem parte da memória; são ancoras de lembrança sobre tudo que estava escrito. No virtual, nada disso acontece, mesmo que os e-books disponíveis simulem o livro real.
Façamos algumas reflexões. Os livros são depositários de todo o conhecimento e memória da humanidade. O mais belo é que eles sempre foram uma caixa de surpresa. A curiosidade do homem é insaciável. Mesmo que se esteja passando para as memórias virtuais todos os livros que foram escritos pela humanidade, jamais tirará a beleza de seus originais quer sejam em papiro, pele de carneiro, plástico, e mesmo o tradicional papel da era moderna.
Para ler um livro virtual há necessidade de todo um aparato tecnológico por detrás; desde a eletricidade, aos chips, a transmissão, tudo pelo processo de magnetização e de movimento de bits e bytes. As fitas magnetizadas do passado, os CD´s estão lentamente desaparecendo do universo computacional. As informações nelas contidas desaparecerão.
No livro tradicional, é necessária apenas a linguagem que aprendemos nas escolas. Ou seja, basta saber ler. O que lá está escrito, não se apaga num tempo relativamente longo. Com a loucura da eletrônica, isto não dá para garantir.
Mesmo a maravilha do armazenamento em nuvens, num pensamento terrorista, um simples bug mundial, um espirro magnético do sol, será suficiente para se perder toda a história da humanidade. O livro é um objeto frio, mas fixo, pronto para leitura em qualquer tempo. O eletrônico é efêmero. O de papel se bem cuidado é para séculos. A eletrônica é um meio, o livro gráfico é perpétuo.
Transcrevemos uma pequena quadra do poeta Elias Jose tirado da Internet:
Um livro
é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores,
é mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata no mar,
um foguete perdido no ar,
é amigo e companheiro.
