Pequenina como poucas, Dona Chiquinha, crescia – e muito – em felicidade quando, com sua inseparável cesta de guloseimas estava rodeada de milhares de alunos, todos adolescentes e crianças que se espalhavam pelos grupos escolares do centro de Tubarão; condição, inclusive, que a tornava quase uma personagem onipresente. Tanto que, até agora, não se tem melhor informação de onde ela realmente morava. Uns diziam que sua casa era no bairro Oficinas, outros, na Margem Esquerda e, alguns mais, até no distante bairro Passagem.
O certo, porém, é que a pequenina e franzina vendedora era uma simpatia em pessoa, cheia de sorriso e lotada de paciência com a criançada que diariamente atendia. Já alcançando meia idade de vida, ela percorria a pé – e sem se queixar um dia sequer-, todas as escolas da área central e de dois bairros da cidade. Nos braços, trazia sua inseparável e sortida balaia de vime, caprichosamente forrada com uma toalha xadrez, em azul e vermelho – tipo daquelas de pic-nic do Tico e Teco. Nas bordas do pano, ficava à vista um bem trabalhado debrum branco, em crochê.
Os grupos escolares Hercílio Luz, no centro; Henrique Fontes, no bairro Humaitá e Mauá, em Oficinas, não escapavam do rol dos educandários mais atendidos por ela. O carro chefe das gostosuras da Dona Chiquinha era a dourada e deliciosa puxa-puxa Pé-de-moleque, cocada, pão de mel, amendoim torradinho, cartucho americano e o mandulate completavam a deliciosa e concorrida carga.
Afinada no ofício e sabedora dos melhores caminhos para obter sucesso nas vendas, Dona Chiquinha sempre teve livre trânsito nos educandários. Jamais teve problemas com vendedores concorrentes, estes que não eram poucos, alguns, inclusive, de dentro dos próprios colégios, já que alguns dispunham de cantinas próprias. Era, também, muito estimada pelos professores e funcionários das escolas.
Curiosamente a doceira mais conhecida da cidade não costumava ir além do portão de entrada dos grupos escolares. Isso, todavia, não diminuía a boa procura dos alunos por seus doces, principalmente na hora do recreio – intervalo maior entre as aulas. Naquela hora a correria era grande, cada um querendo chegar mais cedo e mais perto daquela pequenina senhora que, sempre sorrindo, vivia dizendo: “Calma, meu filho, calma; tem puxa-puxa pra todo mundo!”.
Tão forte e admirada foi sua imagem de Dona Chiquinha para o folclore e a própria história da cidade de Tubarão, que aquela modesta doceira, mais que merecidamente, teve do consagrado artista tubaronense Willy Zumblick o reconhecimento, ilustrando-a em uma de suas telas. Em destaque, aparece a imagem de seu rosto, tendo à frente sua inseparável balaia de doces, só que coberta de flores.

