Quando vejo que a maioria dos noticiários de televisão e das reportagens nas revistas é uma sucessão de escândalos, fico a me perguntar: mas será que a maioria do que acontece é isso mesmo? Há poucos dias, um amigo professor me disse: “O mal faz mais barulho, mas tem muito mais coisas boas acontecendo”. Sabemos da preferência das mídias pelas notícias negativas, pelo apelo sombrio e inconsciente que toca as pessoas, que vende melhor, que comercializa mais. Cabe-nos perguntar por que tanta carga no negativo? Tanto reforço no negativo, no sombrio, no bizarro, no criminoso?
No caso da corrupção, a avalanche de notícias nos causa uma sensação de impotência, afasta-nos de um interesse mais sóbrio pelas coisas da política e do poder público. “Foi sempre assim… lá só tem ladrão…”. Cansei de escutar essa frase. E isso acaba por fazer as pessoas do bem, éticas, dignas afastarem-se ou nem desejarem discutir o mundo da política.
Sentimento de impotência, de alienação, de desesperança… Será este o objetivo oculto de tanto negativismo nas mídias abertas: Entorpecer e desesperançar? Cabe uma reflexão. A corrupção, por exemplo, é um ‘câncer social’ que assola o mundo e dilapida a história brasileira desde que aqui chegaram os colonizadores. Ela também não acontece apenas do Brasil. O antigo império romano está recheado de exemplos que, infelizmente, nos mostram o quanto tal crime era praticado, de modo que não somente o governo, mas a própria população, adaptou-se a essa realidade.
Sêneca disse que pilhar as províncias como governador era “o caminho senatorial para o enriquecimento”. Do ponto de vista financeiro era preferível ser governador a senador. O poder central, na maioria das vezes, fazia vistas grossas desde que, é claro, recebesse a parte que lhe tocava. O romano Cícero, famoso por sua erudição, depois de um ano como governador de província, voltou para casa milionário. E não escondeu sua façanha.
Ele representa, na atualidade, aqueles políticos e executivos de cargos públicos que simplesmente sacam os cofres públicos movidos pela ganância, pela prepotência e certeza de impunidade, alheios à ética social e constitucional e ao bem coletivo. Então é coisa antiga e vem das origens da nossa civilização ocidental.
Mas será que é assim em todos os lugares, com todas as pessoas e segmentos sociais? Por que os bancos cooperativados com fins sociais, que atendem populações de baixa renda, praticamente não têm problemas de inadimplência? Segundo o IBGE, o Brasil é o país com o maior número de jovens fazendo algum tipo de trabalho voluntário.
Exibe inúmeros Órgãos Não Governamentais (ONGs), institutos e associações empresariais com foco na ética e na sustentabilidade. Existe, hoje, cerca de 8 milhões de jovens entre 18 e 24 anos desenvolvendo negócios lucrativos, cujo principal foco está no retorno comunitário e coletivo acima do lucro individual. Se puder, vejo o vídeo ‘Sonho brasileiro’, disponível no You Tube.
Não são sinais de outro Brasil? Onde estão essas notícias? Por que nos querem fazer crer que toda a sociedade é corrupta? Isso não é apenas mais uma chave para diminuir a autoestima de um povo, fazendo-o crer que é pior do que realmente é? O ser humano é um ser que necessita de referências.
Se focarmos no positivo e tivermos referências exemplares de ética, de solidariedade e de ações em prol do coletivo, da cidadania, mais compreenderemos o Brasil como ele é e não sabemos. Desse modo, influenciaremos a construção de um país cada vez melhor. Abaixo à corrupção e visibilidade à ética e ao bem da nação!

