domingo, 15 março , 2026

A vida de um fotógrafo cego

Em 2002, quando tinha 28 anos, o jovem João Maia, de Bom Jesus (cidade de pouco mais de 20 mil habitantes no Piauí), foi acometido por uma uveíte bilateral, doença que inflama os olhos. A doença faria João perder a visão e passar a enxergar apenas vultos e algumas cores, mas também o alçaria a uma condição de exemplo e superação, como artista e como ser humano.

Quatorze anos mais tarde, em 2016, João se tornaria o primeiro fotógrafo com deficiência visual a cobrir uma paralimpíada. Quando questionavam sobre como conseguia fazer as fotos sem ver, a resposta era simples: “eu vejo com o coração”. Foi durante a Rio 2016 que João ganhou o mundo ao registrar jogos de natação, atletismo, ciclismo, basquete, e muitas outras modalidades. (Vale ressaltar que fotografar esportes exige muita sensibilidade para captar os momentos mais propícios!)

Pois bem: mas sensibilidade não é empecílio para João, que sente o momento certo do clique com base no som (que ecoava dos atletas e das arquibancadas), e também através das sua percepção, que o permite sentir a vibração de cada momento. “A minha audição me norteia”, diz João. E aconselha: “antes de fotografar, pare, pense, estude o lugar, sinta a energia ao redor, a luz, os cheiros, tente descobrir a história que há por trás de tudo antes de clicar. Isso tudo compõe as minhas imagens”.

Outro fator que ajudou João é o fato de ter sido competidor depois de perder a visão. “Pratiquei natação, corrida de rua com guia, provas de velocidade, mas me destaquei no arremesso de peso e lançamento de dardo”, afirma. João participou de várias competições importantes, e até da seletiva do Comitê Paralímpico Brasileiro, mas não atingiu os índices requisitados. “O esporte me agregou valores e uma autoconfiança na fotografia. Ele me proporcionou conhecer as provas que eu iria fotografar”.

Mas antes disso tudo, João já era imerso no universo da fotografia. O primeiro contato com a fotografia veio ainda jovem, durante o ensino médio, mas o primeiro curso profissionalizante foi durante 2008-2012, pelo projeto Alfabetização Visual, do SENAC Santo Amaro SP Cap. “A partir daí, aumentei meu currículo e tomei gosto pela arte e percebi que poderia ver muito além do que meus olhos permitiam”.

Hoje com 42 anos, João mora em São Paulo, capital, e continua fotografando. “Já fiz casamentos, eventos sociais, natureza, tudo, eu sempre ando com minha câmera na mão. Hoje eu continuo fotografando todo o calendário paralímpico no Estado de SP, e estou com um projetando uma exposição sobre flores. Recentemente também fotografei a trilha da fumaça, e também estou produzindo de retratos em preto e branco”, conta João, que além de fotógrafo passou a ministrar palestras, oficinas e workshops por todo Brasil, e caminha para cobrir as paralimpíadas de Tokyo, em 2020.

Visite o site do João Maia: Fotografia Cega

Fonte: Epics

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