Zahyra Mattar
Tubarão
Nas últimas duas décadas, o movimento de greve deflagrado pelos professores nunca foi tão organizado e forte como o observado nestes últimos dias. Apesar de terem recebido ameaças e não conseguirem um canal mais aberto de negociações com o governo do estado, os educadores estão engajados e a adesão à paralisação cresce.
Justamente pela falta de uma nova proposta para o pagamento do piso nacional, estipulado em R$ 1.187,97, os professores tomarão as ruas na próxima semana. O objetivo é esclarecer a falta de cumprimento à lei federal. Eles buscarão, na forma de um abaixoassinado, apoio popular à causa.
“Exigimos apenas o cumprimento da constituição, nada mais. A medida provisória enviada à assembleia nesta semana é absurda e a repudiamos. Vamos em busca de um direito. Não cruzamos os braços à toa. Não se trata de uma reivindicação salarial, mas do cumprimento da lei”, desabafa a coordenadora do Sindicatos dos Trabalhadores em Educação (Sinte) em Tubarão, Terezinha Botelho Martins.
Vários atos públicos também estão agendados para ocorrer a partir da próxima segunda-feira. O primeiro deles é a continuidade das visitas às escolas e uma mobilização, pela manhã, na praça da Igreja São José Operário, em Oficinas, e, à tarde, na praça Walter Zumblick, no centro da cidade.
Adesão à greve aumenta
O índice de adesão à paralisação dos professores da rede estadual de ensino, na região de cobertura da unidade regional do Sinte em Tubarão, passa de 95%. Das 61 escolas da base da Cidade Azul, em apenas uma, em Treze de Maio, não há professores em greve.
Nas outras cidades, há escolas completamente fechadas ou com atividades parciais (veja os números no quadro acima). Em cinco cidades (Armazém, Capivari de Baixo, Jaguaruna, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima), a greve atinge toda a rede estadual de ensino.
Em nível estadual, 35,6 mil dos 39 mil educadores estão de braços cruzados. Cerca de 600 mil alunos estão sem aula. A secretaria estadual de educação refuta os dados. Para os gestores, a adesão dos professores não passa dos 36,35% e há 386 mil estudantes sem atividades escolares. Ainda conforme a secretaria, das 1,3 mil escolas estaduais, apenas 19,25% estão paralisadas totalmente.
Prefeitura convoca professores para reunião
Está agendada para a próxima segunda-feira, às 14 horas, uma reunião entre a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Educação da Rede Municipal de Tubarão e Capivari de Baixo (Sintermut) e gestores da prefeitura.
A expectativa é que uma possível nova proposta quanto ao pagamento do piso nacional seja feita. Os professores da rede municipal de Tubarão entrarão em greve a partir da próxima terça-feira.
Nesta semana, a prefeitura sinalizou o pagamento do piso de R$ 1.187,97 como salário inicial, mas com a redução de alguns abonos. O valor da regência seria reduzido para 15%, e o direito a progressão por tempo de serviço trocado por tempo de merecimento.
Os professores não aceitaram a oferta. Em comunicado, nesta sexta (no portal www.tubarao.sc.gov.br e na página 13 desta edição), o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB) voltou a afirmar que o município já paga o piso desde janeiro de 2009.
Na verdade, há a soma dos benefícios para chegar ao valor aferido em lei. A remuneração não é a inicial, como pede o Sintermut e também os educadores da rede estadual de ensino.
O prefeito considera a possibilidade de paralisação injusta e assinala que este mês todos os servidores tiveram um aumento de 6,47%, proporcionado pela revisão geral anual salarial. O índice também será aplicado aos professores (leia mais na matéria abaixo).
Professores receberão reposição salarial de 6,47%
Com a aprovação do projeto da Reposição Geral Anual Salarial da prefeitura de Tubarão, esta semana, pela câmara de vereadores, todos os servidores do município receberão, já na folha deste mês, o índice de 6,47%, correspondente à variação do INPC entre janeiro e dezembro do ano passado. A medida também alcança dos professores, que anunciaram entrar em greve a partir da próxima terça-feira.
Apesar de um comunicado, publicado nesta sexta-feira, garantir que todos recebem o piso nacional, a secretaria de educação enviou um ofício ao sindicato da categoria, no qual pede prazo de 30 dias para avaliar o impacto financeiro que o pagamento dos R$ 1.187,97 causaria aos cofres públicos.
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