Zahyra Mattar
Tubarão
A manobra declaradamente articulada pelo ex-prefeito Carlos Stüpp (PSDB) à eleição da mesa diretora da câmara para este ano caiu como uma bomba atômica sobre o legislativo e o executivo.
A pergunta é: quem governa a cidade? O tucano eleito Manoel Bertoncini ou o ex, Stüpp? “Infelizmente, há uma ingerência, há o dedo de alguém de fora na administração. Quem realmente dirige este carro? Quero que alguém me responda, quero que Manoel me responda”, exige Pepê.
Indignado com a situação, mas sempre diplomático e comedido nas palavras, Pepê assegura que ninguém do partido tomará atitude alguma até que Manoel se pronuncie. “Não conversei com o prefeito sobre isso ainda. Ainda confio no Manoel. Pelo que conheço de seu caráter, não consigo acreditar que ele esteja envolvido em uma maracutaia dessas. Acredito nele, mas quero que ele diga isso na minha cara ou que tome uma atitude à altura”, desabafa Pepê.
O vice-prefeito acredita que chegou o momento da verdade e também é hora dos que estão em cima do muro tomarem lado. “Manoel acabou de ganhar a maior oportunidade de sua vida política dele. Ou ele toma a atitude que esperamos e mostra que manda, ou então…“, considera Pepê.
“Ou Manoel é desinformado ou o
carro é dele e outra pessoa dirige”
O suplente de vereador Caio Tokarski (PMDB – foto) assume amanhã a vaga de Maurício da Silva na câmara de Tubarão. Maurício teve os direitos políticos cassados em uma ação movida pelo Ministério Público em 2003, sob a acusação de ocupar dois cargos públicos – o colega Léo Rosa de Andrade (PPS) também foi réu na ação e igualmente perdeu o mandato.
“Não é a forma que sonhei em assumir a câmara. Mas também não vou ficar triste. A culpa não é minha. Hoje (ontem) pela manhã que fui notificado oficialmente para me apresentar na quinta (amanhã). Fico, a princípio, por 30 dias”, confirma Caio.
Chateado por não ter participado da eleição à mesa diretora, Caio diz que assumirá uma postura independente e ficará sem grupo. “Tenho afinidade de pensamentos e não partidária com Edson (Firmino – PDT) e Deka (May – PP). Mas não tomarei lado”, afirma.
Surpreso como tudo ocorreu segunda-feira, Caio diz que vê com estranheza a articulação à eleição da mesa. “Literalmente, passaram por cima do prefeito. Ou Manoel (Bertoncini – PSDB) é muito desinformado ou o carro é dele e outra pessoa dirige”, dispara.
Pedido de expulsão de
Batista e Nilton será sugerido
O sentimento dentro do ninho tucano, no partido progressista e do PDT é o de traição. No meio do cogumelo da bomba atômica, todos esperam pela chegada de apenas uma pessoa: o prefeito Manoel Bertoncini.
O vice-prefeito de Tubarão, Pepê Collaço (PP), assegura que não conseguiu falar com Manoel e, quando fizer isso, irá cobrar uma atitude. “No ano passado, quando houve aquela negociata do João (Fernandes – PSDB) à eleição da mesa diretora da câmara, Manoel considerou que João o tinha traído. E isso que ocorreu agora é o quê?”, indaga Pepê.
Na época, houve até uma ação para pedir a expulsão de João Fernandes do partido. As relações entre ele e Manoel ficaram, ou melhor, estão, estremecidas. Não se falam. “Vão pedir a expulsão do (João) Batista (de Andrade)? Do Nilton (de Campos)? Pois deveriam. Manoel deveria fazer isso. Vou sugerir”, antecipa o vice-prefeito.
Pepê diz ainda que não aceita a volta de Nilton ou de Batista às suas respectivas secretarias (desenvolvimento urbano e segurança e trânsito).
“Seria feio demais eles voltarem (à prefeitura). Quanto vale a autoridade do prefeito dentro do partido? Não consigo visualizar isso”, recorre Pepê.
O vice-prefeito anuncia ainda que nenhum membro do PP irá tomar qualquer atitude até que Manoel pronuncie-se. “Uma atitude vamos tomar, claro. Mas não adianta fazer nada agora. Temos que ouvir o mais traído de todos: nosso prefeito”.
Caso Maurício
A ação rescisória proposta pela defesa do ex-vereador Maurício da Silva (PMDB) será ingressada hoje no Tribunal de Justiça. As argumentações contestarão o que o advogado Cláudio Borges, da Borges e Bittencourt Advogados Associados, classifica como equívocos processuais e trarão novos fatos, anteriormente não mencionados na ação. Ele e a colega Patrícia Müller cuidam do caso. Uma das contestações gira em torno do fato de Maurício ser servidor público estadual concursado. O foco da ação rescisória é recuperar os direitos políticos do professor.
A sua volta para a câmara está condicionada a outra ação, que pode ser administrativa, na própria casa, explica o advogado. “A ação prevê a possibilidade de liminar, e é nisto que nos apegamos agora”, destaca Borges. A expectativa é que a liminar seja apreciada em um mês. Já a rescisória, não há prazo estimado.
Segundo biênio
A confiança em que conseguirá reverter a sentença que cassou os seus direitos políticos por três anos não abalou os planos de Maurício. Ele e a bancada peemedebista ajuizaram, segunda-feira, um agravo de instrumento para validar o pleito à mesa diretora do segundo biênio.
Maurício teoricamente está eleito à presidência. João Fernandes (PSDB) é o vice. O mandado de segurança rubricado pelo juiz da Vara da Fazenda de Tubarão, Júlio César Knoll, invalidou somente a chamada de sessão especial de sexta-feira passada.

