
Zahyra Mattar
Tubarão
Se a previsão do tempo estimada no começo deste ano se confirmar, março será um ótimo mês de praia em Santa Catarina. Claro que não deverá ser o bafo de agora, mas o público que passa a visitar a região agora não liga muito para isso.
A intenção deles é curtir as belas paisagens, namorar e descansar. Aposentados e casais jovens e sem filhos são a maioria agora. Além de encontrarem locais mais calmos, na comparação com a alta temporada e o período de Carnaval, este público tem bom poder aquisitivo e disposição para passear.
Geralmente, ficam em uma cidade e circulam por toda a região. A lotação dos estabelecimentos, durante a semana, chega a 40% e 55% nos fins de semana. “Outra vantagem é que as diárias começam a ficar mais baratas, na comparação com o verão”, destaca o empresário Peterson Crippa, de Laguna.
Em Gravatal e Tubarão, onde os grandes atrativos são as águas termais e o comércio, a terceira idade, público já cativo na rede hoteleira, começa a dividir espaço aos fins de semana com casais e também muitas famílias, que buscam os empreendimentos apenas para passar o dia e desfrutar da comodidade dos hotéis.
Em Garopaba e Imbituba, o público não muda tão radicalmente. Isto porque as ondas perfeitas para a prática de esportes, como o surfe, atraem mais jovens. Contudo, as duas cidades saem na vantagem na baixa temporada, quando a baleia franca impera no mar e faz a festa de jovens e famílias em terra.
Além disso, a programação ímpar criada pela rede hoteleira do lugar, com trilhas ecológicas, cavalgadas e passeios de barco para avistagem do mamífero em alto mar, torna-se um diferencial singular, especialmente para os casais com filhos na adolescência.
Movimento neste Carnaval é 10% superior ao do ano passado
O Carnaval é um dos grandes atrativos culturais na região. É época de casa cheia, especialmente nas praias. Neste feriado, em Laguna, a rede hoteleira comemora 100% de lotação nos cinco dias de folia. Nas imobiliárias, a procura por casas e quartos para alugar também foi mais acentuada.
No comparativo com o ano passado, o aumento na movimentação turística cresceu 10%. Ainda que seja um valor bom, o percentual é metade do esperado para o período. O motivo: a falta de acessibilidade da região.
“O turista que ficou duas, três horas na fila da BR-101 não volta no próximo ano. Isto gera uma perda imensa para o segmento turístico. Certamente, é a grande preocupação dos empresários ligados ao setor para a próxima temporada”, pontua o empresário Peterson Crippa, de Laguna.
Além disso, o fato de ter chovido em 70% dos dias do período considerado ‘de ouro’ para o setor – entre 26 de dezembro e 15 de janeiro – gerou prejuízo. “A necessidade de criar mecanismos, estrutura e uma programação diferenciada para este tipo de condição é fundamental para o desenvolvimento do segmento na região. Chove e o turista faz o que?”, lembra Crippa.
Mesmo com a integração turística da região, existe a questão da locomoção do visitante entre as cidades, em virtude do principal acesso, a BR-101, não comportar este trânsito. “Sem caminhos alternativos, é impossível fazer esta integração. Resultado: todos perdem”, desabafa o empresário.
Visão retrógrada
Como é nos poucos meses quentes que a rede hoteleira da região sobrevive, uma outra situação faz com que o setor perca para outros lugares de Santa Catarina: muitos empresários optam por baixar em mais de 70% o valor da tarifa no inverno.
“Além de quebrar com o mercado, isto faz com que o turista escolha outras cidades na alta temporada, porque vai comparar os preços e pesar a estrutura de um lugar para o outro. E neste quesito não temos como competir”, argumenta o empresário Peterson Crippa, de Laguna.
A prática faz com que muitos empreendimentos fechem as portas durante o inverno e limita os investimentos de muitos outros. “Ganha-se no verão para sobreviver no inverno. Além de ser o inverso econômico, isto faz com a rede hoteleira estacione. Quem vai investir para não ter retorno?”, indaga Crippa.