Não sou , nem de longe, a pessoa indicada para falar sobre o professor Amadio Vettoretti, falecido no último 27 de agosto. Com a certeza que outros farão melhor, ouso fazer algumas referências.
Não tive qualquer convivência de trabalho ou de amizade com o nosso sempre historiador. Nossos contatos ocorriam nos eventos em que Tubarão estava em pauta. Minha admiração advém do conhecimento que tinha da cidade, pelo amor e pelo rigor metodológico com que a pesquisava, chegando a recontar fatos, ensinados, até então, de forma equivocada.
Nos seus livros, constatava-se com facilidade a incansável busca pela verdade e a riqueza de detalhes, o que não impedia a narrativa leve, mas enfática, que parecia estar conversando com o leitor, além da incontestável força documental.
Era um autoridade, não porque exercia cargos, mas pela força dos seus conhecimentos. E, por eles e pela postura reta, era respeitado. É o tipo de pessoa que todo governante, com compromisso de estadista, deveria ouvir. Não servia, com certeza, para os incultos, para os demagogos ou para os oportunistas.
Participou, a nosso convite, de todos os seminários, que organizamos, sobre os 35 anos da enchente de 1974, como debatedor ou palestrante.
Num deles, solicitamos que abordasse o histórico das cheias em Tubarão. Afinal, esta geração tem na memória a de 74, mas outras ocorreram, com igual ou maior intensidade.
Fez com tal desenvoltura que encantou a todos. Pela memória privilegiada, ao não utilizar qualquer recurso audiovisual. Pelos detalhes, incluindo datas e personagens. Pela abordagem interdisciplinar, ao não se restringir à simples narração daqueles fenômenos metereológicos ou desastres naturais. Mas, por fazê-lo, a partir dos fatos econômicos, sociais e políticas da época, oportunizando uma clara leitura de suas dimensões. Foi extremamente rigoroso no cumprimento do horário determinado pela organização.
Diante da avalanche de corrupção, desfaçatez e de incompetência que assola a vida pública brasileira, Amadio Vettoretti é uma referência de dedicação e honrades.
Sua partida constitui-se, sem dúvida alguma, numa irreparável perda, não somente para os seus familiares, mas, principalmente, para a vida pública tubaronense e da região.

