Laguna
Um boto adulto foi encontrado morto na manhã de ontem na praia do Mar Grosso, em Laguna. Conforme a Polícia Militar Ambiental, o animal foi retirado por volta das 10 horas da praia por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que participam do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP/BS), para análise e necrópsia. A maior preocupação é que o animal tenha morrido devido às redes de pesca clandestinas.
De acordo com o cabo Manoel, da Polícia Militar Ambiental, neste período há bastante pesca clandestina porque é época de bagre. “Realizamos fiscalizações com frequência, já autuamos vários pescadores e retiramos as redes, mas sempre tem os que conseguem fugir da abordagem”, esclarece. “Os pescadores acionaram a Polícia Ambiental e disseram se tratar de um animal que costumava habitar a orla. A princípio, ele tinha marcas de arranhões como se tivesse brigado com outro animal, mas a causa da morte está em análise”, afirma.
O boto pescador ou boto-da-tainha são da espécie tursiops truncatus. Apelidado de “Mandalão” pelos pescadores, era considerado um dos botos que mais interagia durante a pesca. “Brincávamos que ele era violento porque só faltava jogar o peixe na gente”, brinca o pescador Evilásio Fernandes. Ele conta que na terça-feira pescou com o Mandalão, mas notou que o animal estava diferente das outras vezes: “Eu e meu companheiro de pesca observamos que ele estava lento, só saía na superfície para respirar bem devagar. Parecia doente”, disse. O cetáceo adulto, com cerca de 20 anos, macho, tinha 3,34 metros e um peso estimado entre 380 e 450 quilos. “Faremos análises complementares em laboratórios para verificar se havia alguma patologia ou parasitas, para assim identificar a causa da morte”, ressalta o gerente operacional do PMP, Felipe Steiner.
Segunda morte de boto em um mês
Também resgatado nos Molhes pela equipe do PMP, no dia 28 de março, um filhote da mesma espécie de boto, com apenas um mês de vida, foi encontrado morto. Após a necrópsia e análises preliminares realizada pela equipe de biólogos e veterinários, só será possível descobrir a causa da morte depois do resultado do laboratório. “Análises mais profundas do exame histopatológico poderão esclarecer essa morte”, explica o coordenador do PMP e professor da Udesc, Pedro Volkmer. Algumas especulações diziam que o filhote estava com marcas de rede de pesca no corpo, mas segundo o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do Boto de Laguna, Fábio Daura, as imagens sugerem que essas marcas são pregas fetais que permanecem no filhote durante os primeiros meses de vida.
