Alice Goulart Estevão
Jaguaruna
Uma investigação iniciou ontem sobre a morte de um jovem de 26 anos, de Siderópolis. Seu corpo foi encontrado por policiais militares de Jaguaruna, às 9 horas, na lagoa do Balneário Campo Bom.
O jovem, que era projetista de uma metalúrgica, estava internado há aproximadamente uma semana no Centro de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeq), no Balneário Arroio Corrente. Na segunda-feira, por volta das 8h30min, ele desapareceu depois que foi estender roupas. A suspeita é de que a vítima tenha se afogado durante uma tentativa de fuga, já que estava em estado de abstinência.
De acordo com o coordenador e sócio do centro, Max Probst Neto, o responsável por esse setor da clínica, Marcelo Jesuína, acreditava ter visto Rafael dentro da água. “É relativamente comum os dependentes fugirem. Eles costumam ir para as bocas de fumo ou outro lugar que frequentavam antes da internação. Nesse caso, a família nos informou que ele tinha sido visto de barco em Içara”, conta Max.
Com essa afirmação, foi descartada a possibilidade de Marcelo e a equipe da instituição decidirem aguardar pelo retorno do paciente. No dia seguinte, os bombeiros voluntários de Jaguaruna estiveram no local para realizar buscas no lago, de aproximadamente seis metros de profundidade. Nada foi encontrado.
Ainda conforme Max, apesar de muitos usuários de drogas sofrerem com bipolaridade e esquizofrenia, ou paranoia, o projetista não estava sob nenhum tipo de medicamento. O exame toxicológico do Instituto Médico Legal de Tubarão, para onde o corpo foi levado, demora 90 dias para ser concluído. A causa de morte constatada é afogamento.
As investigações
Para a delegada Isabel Fauth, a investigação é realizada com base em um caso de afogamento. “O prazo legal para o inquérito são 30 dias, porém devido à falta de estrutura, não será possível observar”, confirma. Ela revela que desde 2014 há denuncias anônimas no Ministério Público contra a Credeq por crime de tortura. As denúncias são supostamente decorrentes de um desentendimento entre os proprietários. “Essas denúncias foram feitas pelo meu ex-sócio. Na época, a clínica foi fiscalizada, mas não foi constatado nenhum tipo de problema. Inclusive dois dos meus atuais pacientes foram enviados pelo Ministério Público para a reabilitação”, defendeu Max.

